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Primeira pílula que remove radiação do organismo é testada em humanos

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Microgen/Envato
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Nos Estados Unidos, cientistas desenvolvem o primeiro estudo clínico para uma pílula que remove contaminantes radioativos de dentro do corpo humano. O remédio experimental HOPO 14-1 será testado, por enquanto, apenas em pessoas com mais de 18 anos e que estão saudáveis. A ideia é entender se a medicação é tolerável para o organismo. Mais tarde, o medicamento será avaliado em indivíduos que foram expostos à radiação.

Antes de seguirmos, vale explicar que a contaminação radioativa ocorre quando elementos radioativos são absorvidos pela pele lesionada (cortes e feridas), inalados pelo ar ou ainda ingeridos através da alimentação. Este tipo de exposição pode ocorrer após um acidente nuclear, como o que ocorreu na Usina Nuclear de Chernobil, em 1986. Em tese, a medicação também poderá ser usada por populações vítimas de armas nucleares. Sem nenhum tratamento, a radiação ionizante danifica o DNA humano, podendo provocar casos de câncer e o óbito.

Elementos radioativos controlados pela pílula

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Nos estudos pré-clínicos, aqueles feitos em laboratório e com modelos animais, descobriu-se que a pílula consegue remover alguns contaminantes radioativos do organismo, como:

  • Urânio;
  • Netúnio (neptúnio);
  • Plutônio;
  • Amerício;
  • Cúrio.

Hoje, já existem alternativas médicas para a remoção de alguns contaminantes radioativos, como plutônio, amerício e cúrio. São os medicamentos com penta-acetato de dietilenotriamina (DTPA), aprovados pela Food and Drug Administration (FDA).

No entanto, eles precisam ser administrados por via intravenosa ou por nebulizador, só estão disponíveis em ambientes hospitalares e têm baixa eficácia. Por exemplo, o HOPO 14-1 é até 100 vezes mais eficaz que o DTPA na remoção dos elementos radioativos.

Outro ponto é que, em caso de emergência ou de guerra, o uso de uma pílula será muito mais funcional, permitindo que mais vidas sejam salvas. Inclusive, a atual pesquisa recebe financiamento do governo norte-americano, através do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (Niaid).

Como será feito o teste com a pílula contra radiação?

Na primeira fase dos estudos clínicos, os cientistas irão recrutar 42 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 65 anos. Os participantes serão divididos em seis grupos, o que permitirá que a equipe investigue o impacto de diferentes doses da pílula contra radiação. A dosagem do medicamento vai variar entre 100 mg até 7500 mg — esta será a dose máxima.

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Durante todo o estudo, os voluntários serão acompanhados por especialistas. Nos primeiros 14 dias após a ingestão da pílula, o monitoramento será intensivo. É neste período que os cientistas irão medir a absorção, a distribuição e a eliminação do medicamento. A etapa deve ser concluída já em 2024.

“Os resultados deste primeiro ensaio clínico em humanos são importantes para entender a segurança deste produto e como ele é distribuído e eliminado pelo corpo. Esperamos que este trabalho abra caminho para o avanço do produto em direção à eventual aprovação do mercado”, afirma Polly Chang, diretora científica da divisão de biociências do SRI International e uma das responsáveis pela pesquisa, em comunicado.

Fonte: NIH e SRI International