Possível cura do câncer vence o Nobel de Medicina deste ano

Por Rafael Rodrigues da Silva | 01 de Outubro de 2018 às 20h40

Nesta segunda-feira (1º), a Assembleia Nobel do Instituto Karolinska de Estocolmo, na Suécia, anunciou os vencedores do Prêmio Nobel de Medicina. O título será dividido entre os imunologistas James P. Alison, dos Estados Unidos, e Tasuko Honjo, do Japão, pelo fato de as pesquisas de ambos mostrarem uma alternativa viável para a cura do câncer.

Ainda que trabalhassem individualmente, ambos os pesquisadores tinham o mesmo objetivo comum: a criação de uma terapia contra o câncer que utilizasse o próprio sistema imunológico do paciente.

O que acontece é o seguinte: quando o corpo é atacado por vírus ou bactérias, ele cria um tipo de defesa chamado célula T, que se “agarra” a substâncias que estão atacando o organismo, marcando-as e estimulando uma resposta imunológica em larga escala. Além dessas células, várias proteínas também fazem parte do processo, trabalhando para estimular a criação de anticorpos, servindo de “mensageiras” das células T ou ainda atuando como um “freio” do organismo, impedindo que haja uma reação imunológica muito maior do que o nível da ameaça.

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Tasuko Honjo (esquerda) e James P. Alison (direita), vencedores do Nobel de Medicina 2018 (Imagem: Getty Images)

O problema é que, no caso do câncer, o sistema de defesa do corpo nem sempre consegue identificar os tumores e atacá-los, já que eles são uma mutação das próprias células do corpo e não um agente externo. E é aí que entram as pesquisas de Alison e Honjo: ambos estudavam modos de inibir algumas proteínas que funcionavam como freios do sistema imunológico, servindo como estimulante para que ele ataque esses tumores.

Cada um dos tratamentos focou no estudo de uma proteína em específico. O estudo de Alison se concentrou na inibição da CTLA-4, que tem sido usada como tratamento para câncer de pele avançado, enquanto a de Honjo trabalhou com a inibição da PD-1, quee foi utilizada no tratamento de tumores de pulmão, renal, linfoma e melanoma.

O tratamento baseado na inibição dessas proteínas é considerado uma nova fronteira no tratamento contra o câncer, e já mostrou uma taxa de sucesso em cerca de 20% dos pacientes. O principal efeito colateral é que elas podem provocar algumas reações auto-imunes do corpo, mas os pesquisadores já estão trabalhando em um modo de diminuir esses sintomas.

Este é o primeiro de uma semana de anúncios do Nobel, que ainda irá anunciar os vencedores do Nobel de Física (na terça-feira), Química (quarta), Paz (quinta) e Economia (na segunda-feira que vem). Devido a uma polêmica que rolou em abril deste ano, que envolveu diversos membros da comissão julgadora, em 2018 não teremos um vencedor do Nobel de Literatura.

Fonte: BBC

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