Pós-Ômicron: cientistas avaliam anticorpos de infectados e resultado surpreende

Pós-Ômicron: cientistas avaliam anticorpos de infectados e resultado surpreende

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 29 de Dezembro de 2021 às 13h30
swiftsciencewriting/Pixabay

Equipe de cientistas da África do Sul analisou amostras de sangue de pacientes que se recuperaram da variante Ômicron (B.1.1.529) do coronavírus SARS-CoV-2 e fez descobertas, no mínimo, interessantes sobre a potência dos anticorpos neutralizantes que foram desenvolvidos. Por exemplo, as pessoas infectadas têm maior resistência contra a variante Delta (B.1.671.2).

Publicado na plataforma MedRxiv, o preprint — estudo científico ainda não revisado por pares — foi desenvolvido por pesquisadores de diferentes instituições, como membros da Universidade de KwaZulu-Natal (UKZN) e da Universidade de Stellenbosch. O artigo também conta com a participação do cientista brasileiro Tulio de Oliveira, diretor do Centre for Epidemic Response & Innovation (CERI).

Estudo sul-africano mede a capacidade de proteção dos anticorpos desenvolvidos contra a variante Ômicron (Imagem: Reprodução/iLexx/Envato Elements)

Entenda o estudo

No total, o estudo englobou 33 voluntários vacinados ou não contra a covid-19, mas que foram infectados pela variante Ômicron do coronavírus na África da Sul. Segundo os autores, pessoas contaminadas pela nova variante, principalmente as vacinadas, desenvolveram uma imunidade melhorada contra a variante Delta.

É o que apontaram os anticorpos coletados, quando testados em laboratório. Só que era esperado, de forma geral, que os anticorpos tivessem uma capacidade de proteção melhorada contra a Ômicron e não necessariamente contra outras variantes.

"O aumento da imunidade neutralizante contra a Ômicron era esperado — esse é o vírus com o qual esses indivíduos foram infectados. No entanto, também vimos que as mesmas pessoas — especialmente, aquelas que foram vacinadas — desenvolveram imunidade aprimorada à variante Delta", explica Alex Sigal, um dos autores do estudo e membro do Africa Health Research Institute.

"O aumento da [capacidade de] neutralização da variante Delta em indivíduos infectados com Ômicron pode resultar na diminuição da capacidade do Delta de reinfectar esses indivíduos", afirmam os cientistas no estudo. Esse aumento da capacidade de neutralização chegou a 4,4 vezes contra a Delta.

Quais as implicações da descoberta?

Estes resultados são "consistentes com o deslocamento [de novos casos] da variante Delta para a Ômicron, uma vez que podem induzir uma imunidade que neutraliza a Delta, tornando a reinfecção por ela menos provável", explicam os autores.

Como a variante Delta é considerada mais patogênica do que a Ômicron, a descoberta pode ser um bom sinal para a pandemia da covid-19, caso se confirme. "Nesse caso, a incidência da forma grave da covid-19 seria reduzida e a infecção pode mudar para se tornar menos prejudicial aos indivíduos e à sociedade", refletem os pesquisadores.

De acordo com Sigal, se os dados sobre o menor risco de gravidade da variante Ômicron forem confirmados, estes anticorpos podem ajudar a controlar a pandemia do coronavírus. "Se isso for verdade, as complicações que a covid-19 causou em nossas vidas pode diminuir", afirma.

Fonte: Reuters e MedRxiv    

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