Coronavírus ataca mais os homens? Pesquisadores acreditam que sim; entenda

Por Nathan Vieira | 26 de Agosto de 2020 às 14h45
engin akyurt / Unsplash

A COVID-19 ainda é alvo de muito mistério para os especialistas da medicina, com descobertas constantes por meio de estudos. Nesta quarta (26), pesquisadores da Universidade de Yale, dos EUA, apontaram que os homens produzem uma resposta imunológica mais fraca ao vírus do que as mulheres, o que poderia justificar uma das perguntas mais frequentes sobre a doença: por que ela acomete mais os homens?

Basicamente, as descobertas sugerem que os homens, especialmente aqueles com mais de 60 anos, podem precisar mais de vacinas para se proteger contra a infecção. Os especialistas por trás dos estudos (que inclusive conta com brasileiros) observam que as mulheres desenvolvem respostas imunológicas mais rápidas e mais fortes, talvez porque seus corpos sejam preparados para lutar contra os patógenos que ameaçam os bebês em gestação ou recém-nascidos.

No entanto, o estudo levanta também uma outra questão: com o tempo, um sistema imunológico em constante estado de alerta pode ser prejudicial. A maioria das doenças autoimunes, caracterizadas por uma resposta imunológica excessivamente forte, são mais prevalentes em mulheres do que em homens, por exemplo. Os pesquisadores apontam uma possível necessidade de as empresas que buscam vacinas contra o coronavírus analisarem a dosagem com base no sexo das pessoas. Esse foi um pedido que a própria Food and Drug Administration (agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos) já chegou a fazer.

Mulheres produzem mais resposta imunológica que homens, segundo estudo da Universidade de Yale, dos EUA (Imagem: Christo Anestev/Pixabay)

Para chegar às conclusões, a equipe analisou as respostas imunológicas em 17 homens e 22 mulheres que foram internados logo após serem infectados com a COVID-19. Os pesquisadores coletaram sangue, amostras nasais, saliva, urina e fezes dos pacientes. No geral, eles observaram que o corpo das mulheres produziu mais células T, que podem matar as células infectadas por vírus e impedir a disseminação da infecção. Os homens mostraram uma ativação muito mais amena das células T, e esse atraso estava relacionado ao grau da doença que os acometia.

O estudo percebeu que, quanto mais velhos eram os homens, mais fracas eram as respostas das células. Em contrapartida, mulheres na faixa dos 90 anos ainda apresentaram boa resposta imunológica. O estudo tem limitações, no entanto: além de contar com uma amostragem pequena, os pacientes tinham mais de 60 anos, em média, o que dificultava avaliar como a resposta imunológica muda com a idade.

A análise também não ofereceu uma razão concreta para as diferenças entre homens e mulheres. Ainda assim, as novas descobertas são um primeiro passo rumo à explicação de por que os homens são mais afetados pelo coronavírus. Os especialistas afirmam que as respostas de células T, mais robustas em mulheres mais velhas, podem ser uma pista importante para a proteção e devem ser exploradas mais a fundo.

Fonte: The New York Times

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