Pesquisadores utilizam ondas sonoras para detectar partículas de câncer

Por Ares Saturno | 03 de Julho de 2018 às 16h33

O periódico de saúde Small publicou um estudo, feito por pesquisadores da Duke University, do MIT e da Nanyang Technological University, mostrando como ondas sonoras podem ser uma ferramenta no diagnóstico de câncer. O uso dos sons é uma forma menos invasiva de detectar os tumores que as práticas usualmente utilizadas, o que torna seu uso clínico viável.

Tony Jun Huang, professor de engenharia mecânica e ciência dos materiais da Universidade de Duke, diz o seguinte: "A biópsia é a técnica padrão para o diagnóstico de câncer. Mas é doloroso e invasivo e muitas vezes não é administrado até os estágios finais de desenvolvimento do tumor".

Como funciona?

Com o novo método de diagnóstico, as ondas sonoras são emitidas em um determinado ângulo diretamente no fluxo sanguíneo, movendo as partículas do sangue uniformemente. Células tumorais circulantes (CTCs) são comuns em quem possui células cancerígenas e, com a aplicação das ondas sonoras, pequenos fragmentos de tumor se desprendem e passam a circular na corrente sanguínea. Com densidade maior que as células normalmente encontradas no sangue, as CTCs são movidas pelas ondas sonoras para um canal separado, facilitando a coleta do material para posterior análise laboratorial.

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As CTCs trazem informações valiosas sobre os tumores, incluindo suas características físicas, seu tipo e até mesmo dados sobre suas possíveis mutações genéticas. Sem a técnica que utiliza as ondas sonoras, as CTCs são extremamente difíceis de interceptar para proceder os exames.

Segundo Huang, "Com nossa tecnologia de separação de células tumorais circulantes, poderíamos ajudar a descobrir, de maneira não invasiva, se o paciente tem câncer, onde o tumor está localizado, em qual estágio ele se encontra e quais métodos terapêuticos funcionariam melhor. Tudo a partir de uma pequena amostra de sangue retirada do paciente". As biópsias, mais invasivas, dolorosas e caras, poderiam passar de meio principal de diagnóstico para exame especializado em casos que exigissem mais dados que as CTCs podem fornecer, em casos específicos. Isso não apenas tornaria o diagnóstico dos tumores mais acessível e indolor, mas também faria com que os pacientes fossem mais rapidamente diagnosticados, o que aumenta as chances de bons prognósticos e a adesão ao tratamento.

A abordagem foi demonstrada pela primeira vez há três anos, mas desde então os pesquisadores estão trabalhando para desenvolver melhor a técnica. Hoje, com uma amostra de 7,5 ml de sangue, os técnicos conseguem fazer a análise diagnóstica em apenas uma hora, com 86% de acertos em ambiente clínico.

Os planos dos pesquisadores são de tornar a técnica mais acessível, diminuir o tempo que as análises laboratoriais levam e aumentar sua eficiência, fazendo com que o método se torne o principal meio de diagnóstico de câncer usado no mundo.

Fonte: The Next Web, Small

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