Pesquisadores encontram três cepas principais do coronavírus no BR

Por Fidel Forato | 18 de Junho de 2020 às 20h00
Reprodução/ Visual Science

Será que o novo coronavírus (SARS-CoV-2) se espalhou, realmente, a partir do primeiro caso identificado no Brasil até os atuais 955 mil diagnosticados com a COVID-19, distribuídos por todo o território? A resposta é não — pelo menos é essa a conclusão que pesquisadores brasileiros e britânicos chegaram após sequenciarem 427 genomas do vírus encontrados no país. 

Desse total, 102 genomas foram detectados como cepas (tipos com pequenas variações) iniciais, ou seja, pelo menos 100 linhagens entraram no Brasil, ainda no início da epidemia. Sendo que apenas três tipos conseguiram se espalhar, de fato, pelo território. Isso porque o isolamento social ajudou na redução da diversidade das cepas com maior circulação.

Na epidemia da COVID-19 brasileira, três cepas do coronavírus predominam (Imagem: Reprodução/ Science Photo Library)

Vale avisar que mesmo que haja diferentes cepas do novo coronavírus em circulação, isso não implica na possibilidade de reinfecção de pessoas já contaminadas. Afinal, o vírus sofre apenas pequenas mudanças, sempre mantendo suas características principais. Caso as alterações fossem muito significativas, trataria-se de um outro vírus.

Rastreando o vírus

O interessante é que as três cepas do novo coronavírus, que conseguiram se espalhar pelo Brasil, foram transmitidas antes da confirmação do primeiro caso, no dia 26 de fevereiro deste ano. Ou seja, o vírus já circulava antes de ter sido, oficialmente, identificado pelas autoridades da saúde. Por isso, as medidas de isolamento implementadas, como o fechamento das escolas e dos aeroportos, foi importante.

A pesquisadora do Instituto de Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da USP, Ester Sabino, explica, então, que os primeiros genomas de casos sequenciados da COVID-19, em São Paulo, não deram início, portanto, à pandemia no país. "As três cepas que encontramos agora foram as que se espalharam mais, e provavelmente infectaram pessoas antes dos dois casos iniciais em São Paulo. O vírus já estava circulando uns 10 dias antes", esclarece Sabino para o G1.

Cepas principais

De acordo com as informações levantadas, as três cepas mais disseminadas pelo país chegaram por São Paulo e Ceará. No entanto, não é possível determinar com precisão a origem de cada uma delas fora do Brasil. Isso porque uma amostra retirada na Itália, por exemplo, pode não ser de uma "linhagem italiana", necessariamente.

Além disso, essa mesma pessoa poderia ter viajado para a Alemanha, uma semana antes, contraído uma "linhagem alemã". Dessa forma, só é possível estimar que essas cepas mais disseminadas vieram da Europa e dos Estados Unidos, diferente do que poderia se imaginar do vírus vindo diretamente da China.

Por outro lado, a baixa diversidade genética do coronavírus é um indicador de que as medidas de isolamento funcionaram. “Diversidade genética está associada com a transmissão diretamente. Quanto maior o número de pessoas infectadas, e quanto mais explosiva, maior será a diversidade genética do vírus. São processos intrinsecamente relacionados. Assim, ainda precisamos de mais pesquisas, e isso pode influenciar na criação de uma determinada vacina no Brasil”, explica Nuno Faria, da Universidade de Oxford.

Além dos 427 genomas analisados pelo grupo, os pesquisadores consideraram outros 63 que já tinham sido sequenciados pela Fundação Oswaldo Cruz. Essa pesquisa também contou com mais de 70 cientistas de instituições como Universidade de São Paulo, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade de Campinas, Universidade de Oxford, Imperial College of London, entre outras. A pesquisa conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de S. Paulo (Fapesp).

Fonte: G1

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