Pesquisador alerta sobre possíveis perigos do 5G à saúde

Por Rafael Rodrigues da Silva | 23 de Outubro de 2019 às 22h40
Reprodução

Muito já foi debatido para tentar descobrir se as rede Wi-Fi causavam câncer e, ultimamente, estamos vendo um retorno do mesmo cenário de discussões por conta da tecnologia 5G.

Existe ainda muita controvérsia a respeito, e há quem questione se esta tecnologia é mesmo segura para os seres humanos. Agora, um novo artigo publicado na altamente respeitada revista científica Scientific American coloca mais argumentos no lado daqueles que acreditam que os sinais desse tipo de rede podem aumentar a incidência de câncer.

Assinado por Joel Moskowitz, pesquisador de políticas públicas na Universidade de Berkeley (EUA), o artigo afirma que mais estudos deveriam ser feitos sobre os efeitos da tecnologia 5G em seres humanos antes de instalarmos toda uma infraestrutura global dessas antenas. O argumento é de que ainda não sabemos exatamente o efeito que essa tecnologia tem em nossos corpos, e a maior preocupação de Moskowitz é pelo fato de que, atualmente, não existem estudos sobre os efeitos do 5G no organismo humano. Ao mesmo tempo, ele também aponta alguns estudos que indicam que as tecnologias 2G e 3G (que são bem mais antigas) podem ser mais perigosas do que se costuma acreditar.

Em seu texto, Moskowitz argumenta que, em algumas regiões dos Estados Unidos, está sendo observado um aumento de tumores no cérebro e no pescoço que condizem com resultados encontrados em algumas pesquisas sobre o risco de câncer em pessoas que passam muitas horas ao dia falando ao celular. O autor ainda pede para que o governo do país dê uma maior atenção aos 250 cientistas e médicos que assinaram o 5G Appeal, uma petição pública que pede a interrupção da implementação do 5G enquanto ainda não entendermos direito as implicações que a tecnologia pode ter para o corpo humano.

Apesar do artigo, o pedido de Moskowitz é algo que dificilmente será aceito. Primeiro, porque é difícil fazer pesquisas sobre uma tecnologia que ainda não está instalada, e como é impossível replicar em laboratório todas as complexidades da instalação de antenas, os resultados obtidos em pesquisas feitas em ambientes controlados podem não exatamente corresponder com a realidade. Além disso, há também o fator financeiro: o 5G é um mercado que, nos próximos dez anos, deverá valer cerca de US$ 40 bilhões. E, considerando que não há um consenso de que esse tipo de tecnologia seja mesmo um perigo para os humanos, a chance de se parar os investimentos na área (perdendo dinheiro e mercado para outros países) enquanto não existem mais estudos que comprovem que a tecnologia é inofensiva (algo que pode demorar anos) é extremamente improvável.

Fonte: Futurism

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