Pesquisa revela questões genéticas ligadas ao suicídio

Pesquisa revela questões genéticas ligadas ao suicídio

Por Ingrid Oliveira | Editado por Luciana Zaramela | 06 de Dezembro de 2021 às 08h30

O suicídio é uma das principais causas de morte em todo o mundo. Aliás, as tentativas não-fatais ocorrem com muito mais frequência que o fato consumado: cerca de 20 vezes mais. Tentando entender os fatores que agravam esse quadro, pesquisadores avaliaram os fatores genéticos por trás dos pacientes que tentaram se suicidar e descobriram pelo menos sete alterações no DNA dessas pessoas. Os resultados foram publicados na Biological Psychiatry.

Para que isso fosse possível, um grupo de cientistas do International Suicide Genetics Consortium conduziu o estudo de associação de todo o genoma. Os pesquisadores escanearam o DNA de muitas pessoas, em busca de marcadores genéticos que eram mais comuns nas pessoas que haviam tentado suicídio.

Foram mais de 7,5 milhões de variações comuns na sequência do genoma de quase 550 mil pessoas — sendo que 30 mil haviam tentado suicídio pelo menos uma vez. Na maioria dos casos, os pacientes avaliados possuíam transtornos psiquiátricos e outros fatores de risco conhecidos, como tabagismo, distúrbios do sono e outros quadros de saúde em geral.

Pesquisadores identificam alterações no DNA associadas ao suicídio (Foto: iLexx/Envato)

Condição genética para tentativa de suicídio

Niamh Mullins, professor de genômica psiquiátrica na Escola de Medicina Icahn no Monte Sinai, Egito, e principal autor do artigo, disse que a equipe, além de identificar o local de risco para tentativa de suicídio no cromossomo 7, descobriu uma forte sobreposição na base genética da tentativa de suicídio e de transtornos psiquiátricos, particularmente depressão maior, bem como alguma sobreposição com genes relacionados ao tabagismo, dor, assunção de riscos, distúrbios do sono e outros quadros clínicos.

Segundo ele, essa sobreposição genética com fatores de risco não psiquiátricos não foi alterada pela condição psiquiátrica, o que sugere que um componente substancial da base biológica da tentativa de suicídio não é, simples ou somente, uma consequência de qualquer doença, e sim um fator genético.

O coautor do estudo, JooEun Kang, estudante no Vanderbilt University Medical Center, disse que a descoberta significa um avanço importante na compreensão de como a genética da tentativa de suicídio se relaciona com a dos fatores de risco psiquiátricos e não psiquiátricos.

As alterações no DNA foram associadas a insônia, tabagismo e comportamento de risco. Apesar disso, os cientistas dizem que trabalhos futuros serão necessários para descobrir o mecanismo biológico por trás disso. A pesquisa, inclusive, aproxima a comunidade científica de compreender a neurobiologia do suicídio. O objetivo desse estudo, segundo os especialistas, é obter novas informações sobre as condições biológicas — algo que fornecerá caminhos potenciais para tratamentos e estratégias de prevenção.

Fonte: Biological Psychiatry; Medical Xpress  

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