Pesquisa em SP mostra que 5,19% dos infectados pela COVID-19 possuem anticorpos

Por Natalie Rosa | 18 de Maio de 2020 às 18h02
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Um estudo inédito realizado em São Paulo, por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), descobriu que 5,19% dos moradores da cidade desenvolveram anticorpos contra o novo coronavírus.

A pesquisa foi feita com apoio do Instituto Semeia e com a participação de profissionais do Laboratório Fleury e do Ibope Inteligência, em seis distritos com maiores incidências da COVID-19 na cidade. Exames sorológicos foram realizados em 520 pessoas com mais de 18 anos, com 27 delas apresentando os anticorpos.

Como nota o site da Exame, estes testes sorológicos são cruciais para avaliar o quão próxima está uma população da "imunidade de rebanho", que acontece quando um vírus possui poucas rotas de contágio devido aos anticorpos presentes no organismo das pessoas, uma vez que muitos já foram contaminados. Os resultados dos testes ajudam autoridades a decidirem com mais precisão como serão as próximas medidas restritivas.

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Ainda não se sabe, no entanto, qual o percentual necessário de habitantes que precisam desenvolver anticorpos contra a doença até que a imunidade de rebanho seja alcançada, mas segundo estimativas relacionadas ao novo coronavírus é que esse número varie entre 70% a 90%.

Os locais escolhidos para fazer os primeiros testes foram Morumbi, Bela Vista e Jardim Paulista, os três distritos com o maior registro de contaminação, e Pari, Belém e Água Rasa, com o maior número de óbitos. A coleta de sangue para o exame foi feita de casa em casa por pesquisadores do Ibope e técnicos do Fleury.

Os testes devem ser refeitos ao menos uma vez por mês, segundo os cientistas, e o próximo levantamento está marcado para o dia 10 de junho em toda a cidade de São Paulo, o epicentro da pandemia no Brasil. Com os dados coletados na próxima pesquisa, de acordo com Marcia Nunes Cavallari, CEO do Ibope Inteligência, será possível avaliar a velocidade de propagação da COVID-19 na cidade.

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Além disso, o estudo consegue ter uma dimensão do alto índice de subnotificação e, segundo o levantamento, 91,6% dos casos não estão nos números oficiais devido à falta de testes disponíveis.

No cenário atual, acabam sendo testados apenas casos mais graves, deixando assintomáticos ou pessoas com sintomas leves sem diagnóstico. De acordo com estimativas, 80% dos infectados podem desenvolver sintomas como cansaço, febre ou dor de garganta de forma leve.

Os testes revelaram ainda uma taxa de letalidade do novo coronavírus de 0,95%, menor do que a média nacional do Ministério da Saúde, que chega a 6,9%, dado que também acaba sendo impreciso devido à falta de exames em assintomáticos.

Fonte: Exame via Estadão

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