Pesquisa busca voluntários no BR para identificar COVID a partir da tosse

Por Fidel Forato | 11 de Fevereiro de 2021 às 09h30
Gustavo Fring/Pexels

Desde o início da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), inúmeras pesquisas buscaram alternativas para diagnosticar de forma rápida e não invasiva pacientes infectados. Afinal, evitar o contágio — com os doentes em quarentena — é uma das melhores estratégias para controlar a COVID-19. Agora, o projeto da organização sem fins lucrativos Virufy planeja diagnosticar pacientes através da tosse, mas ainda busca voluntários no Brasil (e em outros países da América Latina) para ampliar o database.

Em parceria com a Virufy, cientistas de mais de 20 países, incluindo Inglaterra, Japão, EUA e Brasil, trabalham na missão de diagnosticar a COVID-19 através de um áudio igualzinho àquele que mandamos por WhatsApp. O aplicativo, ainda em fase de aperfeiçoamento, usa Inteligência Artificial (IA) para avaliar a probabilidade de um indivíduo estar infectado pelo coronavírus.

Projeto busca voluntários com suspeita da COVID-19 para coletar a tosse, em formato de áudio, dessas pessoas (Imagem: Reprodução/ Mdjaff/ Freepik)

No momento, a equipe de pesquisadores já validou seu algoritmo de machine learning (ML) com milhares de tosses provenientes da América Latina, da Europa e da Ásia. Para distinguir entre casos de SARS-CoV-2 positivo e sons de tosse negativos — provavelmente, causadas por outras infecções —, a ferramenta com IA alcançou 80% de precisão.

Importância do diagnóstico precoce

Mobilizando a coleta dados sobre a tosse em diversas regiões do mundo, o projeto visa treinar o algoritmo para obter uma precisão maior e entender melhor como soa a COVID-19. Para chegar nesse objetivo, a organização internacional de pesquisa procura, agora, coletar mais tosses na América Latina, já que é uma região que continua registrando um aumento significativo de casos positivos da COVID-19.

Embora a potencial análise da tosse não substitua os testes de diagnóstico de nível hospitalar, como o RT-PCR ou ainda os exames sorológicos, o app deve ser aliado na rápida triagem de casos da COVID-19. Isso porque profissionais da saúde podem adotar sua análise e realizar uma avaliação de cada paciente, somando eventuais sintomas e verificações de temperatura. Outro caminho é que usuários adotem uma quarentena voluntária, enquanto esperam resultados detalhados.

Aplicativo promete diagnosticar a COVID-19 a partir de áudio da tosse do doente (Imagem: Reprodução/ Polina Tankilevitch/ Pexels)

Com essa detecção rápida, o projeto espera desenvolver uma ferramenta de triagem suplementar e não invasiva, o que pode beneficiar comunidades com menos acesso para testagens de coronavírus. “É uma solução global genuína para achatar a curva em todo o mundo e acabar com essa pandemia, especialmente nos países em desenvolvimento onde não há acesso massivo aos testes, o que torna o rastreamento e o distanciamento social mais difíceis”, defende Amil Khanzada, engenheiro de software do Vale do Silício e fundador da Virufy.

"Doação" de tosse

No momento, o projeto busca voluntários com sintomas semelhantes com os da COVID-19, casos suspeitos ou ainda já confirmados da infecção. Além disso, o colaborador deve morar em um dos seguintes países: Brasil; Argentina; Bolívia; Colômbia; México; e Peru. Outro pré-requisito é que os usuários devem ser pessoas maiores de 18 anos. “Leva apenas dois minutos para doar uma tosse através de um smartphone ou computador”, explica Matheus Galiza, Gerente de Extensão da Comunidade da Virufy para o Brasil.

Após entrar na página da pesquisa, o usuário precisará preencher algumas informações, como detalhes sobre histórico médico, sintomas, dados demográficos básicos e resultados de testes para COVID-19, caso haja. Na hora de produzir o áudio da tosse, a orientação é que "grave sua tosse sozinho e em um espaço privado sem outras pessoas presentes, quando possível, e em qualquer caso, pelo menos, dois metros de distância de outras pessoas". Para evitar eventuais contaminações, a pessoa deve desinfetar o smartphone ou superfícies próximas após encerar a gravação.

Quer colaborar com o desenvolvimento do app da tosse de COVID-19? Então clique aqui.

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