Paraná e Rússia firmam acordo para primeira vacina contra a COVID-19

Por Fidel Forato | 11 de Agosto de 2020 às 14h15
Reprodução: Freepik

Nesta terça-feira (11), a Rússia se tornou o primeiro país do mundo a aprovar uma vacina contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), conforme foi anunciado pelo presidente Vladimir Putin. Agora, a população do país poderá ser vacinada em massa e o imunizante contra a COVID-19 também deve chegar a outros países, como no Brasil — mais especificamente, no estado do Paraná.

Entre as parceiras para os testes finais e a produção da vacina russa, o estado do Paraná anunciou que deve assinar um convênio com a estatal russa para produzir a Sputnik V, como foi apelidado o imunizante em homenagem ao satélite lançado pela União Soviética, durante a Guerra Fria. Oficialmente, a parceria deve ser firmada pelo governador Ratinho Júnior e o embaixador da Rússia, nesta quarta-feira (12).

Desenvolvida pela Rússia, vacina deve firmar parceira nacional com o estado do Paraná (Imagem: reprodução/ Freepik)acina

No cronograma, caso a pesquisa do imunizante russo seja aprovada conforme o esperado, a distribuição nacional da vacina contra a COVID-19 não deve ocorrer antes do segundo semestre de 2021.

Próximas etapas

No estado, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) é que será responsável por todas as etapas do projeto, incluindo a pesquisa de fase 3 até a distribuição das doses para a população. Após a assinatura do acordo, detalhes da vacina russa devem ser compartilhados com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para que seja liberada o início dos testes em humanos da vacina.

A pesquisa vai avançar através do compartilhamento das informações, explica Jorge Callado, presidente do Tecpar, sobre as possíveis desconfianças com o medicamento. “Antes da liberação, não há possibilidade de colocar nada em prática. Reitero que a prudência e a segurança são palavras-chave nesse processo”, esclarece o presidente do Tecpar para o G1. 

“Cada passo no seu momento adequado, não podemos queimar etapas”, defende Callado. "É algo muito preliminar. Não existe compromisso de produção firmado enquanto as etapas não forem validadas, não forem consolidadas e não forem liberadas pela Anvisa. É um começo de um intercâmbio de informações. Nós avançaremos se tivermos informações necessárias para tanto. Caso contrário, não", completa.

Como funciona a vacina?

Na última etapa de testes, chamada de fase 3, o objetivo é validar a segurança e eficácia da vacina dentro do seu público-alvo. Para isso, o número de participantes deve chegar aos milhares, que devem ser monitorados tanto na sua capacidade de proteção contra a COVID-19 quanto nos possíveis efeitos colaterais do imunizante. 

Nesta etapa, duas mil pessoas participarão dos testes da vacina russa. Além do país de origem e do estado do Paraná no Brasil, outros países do Oriente Médio (Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita) e o México devem começar seus testes com o imunizante a partir de amanhã (12).

Vacina russa deve ser testada no Paraná e, caso se comprove a eficácia, deve ter produção nacional (Imagem: Sputinik V/Centro Gamaleya)

Em laboratório, os pesquisadores russos trabalharam com diferentes tipos de adenovírus, conhecidos por causarem o resfriado comum. Para os testes com a vacina, o vírus foi modificado de forma que não se replicasse mais, ou seja, não conseguisse mais se reproduzir. Na sequência, foi editado geneticamente e teve incluído em seu material gênico a proteína spike, encontrada na membrana do novo coronavírus. 

Em outras palavras, o vírus modificado carrega um identificador da COVID-19 e, assim, espera-se que as pessoas que receberam a vacina desenvolvam anticorpos contra a doença. No entanto, para garantir uma imunidade mais duradoura contra o agente infeccioso, serão usados dois tipos diferentes de vetores de adenovírus (rAd26 e rAd5) para a primeira e segunda dose da vacinação, após 21 dias, aumentando sua eficácia.

Outras vacinas, em desenvolvimento, contra a COVID-19 também utilizam o adenovírus modificado e não replicante na fórmula do imunizante, como acontece nos laboratórios da Universidade de Oxford, no Reino Unido, com participação da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). A metodologia também é usada pela farmacêutica da Johnson & Johnson, a Janssen.

Fonte: G1Sputnik V    

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.