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Overdose de Viagra | Riscos e efeitos colaterais da sildenafila

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Maio de 2023 às 14h30

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Dabarti/Envato
Dabarti/Envato

O uso do Viagra e de outros medicamentos genéricos que têm o citrato de sildenafila como princípio ativo é relativamente comum no Brasil, já que a venda do comprimido azul não exige receita médica. Apesar do fácil acesso, altas doses da medicação podem provocar complicações graves, como distúrbios na visão, amputação do pênis e morte.

Sem considerar os casos de uso abusivo do Viagra, a medicação tende a ser eficaz e segura para os homens. Inclusive, é autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e por outros órgãos internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos.

O que é viagra?

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Antes de seguirmos, vale explicar o que é viagra. Basicamente, o medicamento popularmente conhecido como azulzinho é um comprimido vasodilatador para pacientes com disfunção erétil — condição que afeta homens, independente da idade, que não conseguem manter uma ereção durante o sexo. Em termos mais técnicos, a sildenafila é um inibidor seletivo da fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), específica do monofosfato de guanosina cíclico (GMPc).

Para que serve o Viagra?

Na maioria dos casos, o citrato de sildenafila é prescrito para o tratamento da impotência sexual, já que o composto aumenta o fluxo de sangue direcionado para o pênis, a partir da liberação de óxido nítrico e da dilatação dos corpos cavernosos do órgão sexual. No entanto, sozinho, ele não promove a excitação, ou seja, o medicamento não tem efeito na ausência de estímulo sexual.

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Além disso, medicamentos com o mesmo princípio ativo são prescritos para pacientes com hipertensão pulmonar. Neste caso, o nome comercial da fórmula muda para Revatio.

Precisa de receita para comprar Viagra?

No Brasil, o Viagra e os outros medicamentos do gênero com citrato de sildenafila são de venda livre. Isso significa que não é preciso apresentar uma receita médica na hora de comprar o azulzinho na farmácia e nenhuma informação é retida por parte do estabelecimento, como ocorre com a compra de antibióticos.

Embora a prescrição não seja obrigatória, não é recomendada a automedicação, já que esta implica em inúmeros riscos para a saúde do usuário.

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Quais são os efeitos adversos do Viagra?

Quando pensamos no uso seguro — na dosagem orientada pelo médico —, o Viagra pode provocar efeitos adversos indesejados, como tende a ocorrer com qualquer medicação.

Os efeitos colaterais mais comuns do Viagra são:

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  • Cefaleia (dor de cabeça);
  • Tontura;
  • Visão embaçada e outros distúrbios visuais;
  • Cianopsia (ver coloração azul em todos os objetos);
  • Ondas de calor;
  • Rubor (vermelhidão);
  • Congestão nasal;
  • Náusea (enjôo);
  • Dispepsia (má digestão).

De forma mais rara, alguns pacientes ainda podem apresentar algumas questões cardiovasculares ou outras formas de alterações no campo visual.

Confira as reações pouco comuns e raras da sildenafila:

  • Dor no olho;
  • Fotofobia (intolerância a luz);
  • Fotopsia (sensação de ver luzes ou cores cintilantes);
  • Cromatopsia (objetos são percebidos em cores diferentes da original);
  • Visão de halo (aro brilhante em volta de luzes brilhantes);
  • Xantopsia (ver cor amarela em todos os objetos);
  • Eritropsia (ver cor vermelha em todos os objetos);
  • Taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos);
  • Palpitação;
  • Sangramento nasal;
  • Convulsão;
  • Síncope (desmaio);
  • Priapismo (ereção persistente e dolorosa do pênis).
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Aqui, é preciso ressaltar: todos são efeitos adversos possíveis, embora alguns mais frequentes que outros, na dosagem normal do medicamento. Diante dessa variedade de efeitos, antes de começar o uso devido à disfunção erétil, busque orientação médica de um urologista.

O acompanhamento médico é bastante importante, já que existem contraindicações que devem ser debatidas caso a caso. Além disso, o remédio azulzinho não deve ser usado de forma leviana, buscando exclusivamente a melhora da performance sexual, como é feito por alguns jovens.

O que fazer em caso de alta dosagem de Viagra?

Nos estudos clínicos, aqueles experimentos feitos para medir a eficácia e a segurança da medicação, os cientistas também analisam a dosagem ideal e até onde a medicação é aceita pelo organismo.

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"Em estudos realizados com voluntários sadios utilizando doses únicas de até 800 mg, os eventos adversos foram semelhantes àqueles observados com doses inferiores”, afirma a bula do Viagra, produzido pela farmacêutica Pfizer. “No entanto, a taxa de incidência e gravidade foram maiores”, acrescenta o documento.

Por isso, quando alguém é exposto a grandes quantidades do citrato de sildenafila, o recomendado é que se busque socorro médico. Afinal, como veremos a seguir, overdoses do tipo podem ter consequências imprevisíveis para o indivíduo.

Efeitos da overdose de citrato de sildenafila

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Quando o assunto é overdose por sildenafila, não existe uma única complicação e nem um padrão de consequências, já que o desfecho dos casos tende a ser individualizado. Analisando estudos científicos e relatos de casos, é possível dimensionar o quão variados podem ser, partindo de surdez e chegando até o óbito.

Caso de surdez após overdose

Publicado na revista científica The Journal of Laryngology & Otology, um relato de caso revela que, na Índia, um paciente de 44 anos desenvolveu surdez após ingerir sildenafila por 15 dias seguidos, o que implicou em uma alta taxa do composto no sangue.

Segundo os médicos do Command Hospital Air Force, o indivíduo ficou permanentemente surdo. "Não encontramos nenhum caso relatado anteriormente de perda auditiva induzida por sildenafil e, até onde sabemos, este é o primeiro relato de caso de perda auditiva neurossensorial induzida por sildenafila na literatura mundial", afirmam os autores.

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Alterações visuais que permanecem por meses

Agora, pesquisadores da Columbia University, nos EUA, relataram o caso de um paciente de 31 anos, saudável, após ingerir altas quantidades de sildenafila comprada pela internet — um indicativo de que o medicamento pode não ser o original. Neste caso, o homem desenvolveu fotopsia (presença de pontos de luz no campo de visão) e eritropsia (visão vermelha) prolongadas.

"Os sintomas do paciente e as alterações estruturais dos fotorreceptores persistiram por vários meses”, explicam os autores do artigo, publicado na revista Retinal Cases & Brief Reports. O quadro tinha normalizado pouco antes de completar 12 meses. De forma geral, "em alta dosagem, o citrato de sildenafila pode levar a toxicidade retiniana persistente em certos indivíduos”, acrescentam sobre os riscos.

Amputação do pênis

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Segundo o jornal The Independent, um quadro pouco comum de complicação associada aos casos de overdose do remédio azulzinho ocorreu na Colômbia, onde um homem de 66 anos precisou passar por uma amputação de pênis.

Como efeito da alta dosagem, o paciente desenvolveu priapismo, mas não procurou ajuda médica imediata. Quando finalmente buscou ajuda, a genital doía excessivamente e os médicos descobriram que o órgão estava com gangrena. Neste momento, a equipe do hospital Naiva precisou optar pela amputação, buscando proteger a vida do indivíduo.

Óbito em decorrência de altas doses do remédio para impotência

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O mais grave dos efeitos indesejados da overdose é a morte. Sim, o desfecho trágico já foi relatado em um artigo na revista Human & Experimental Toxicology. Na ocasião, os médicos da Faculté de Médecine de Strasbourg, na França, descreveram o caso de um homem de 56 anos que foi encontrado morto, em casa, após o uso do medicamento.

De antemão, o paciente já tinha diabetes, hipertensão e disfunção erétil, além de ser alcoólatra e ter transtornos depressivos. No exame cadavérico, os pesquisadores descobriram que “a concentração de sildenafil no sangue pós-morte (6,27 microg/mL) excedeu pelo menos quatro vezes os níveis terapêuticos mais altos relatados anteriormente”.

Jovens também podem sofrer efeitos colaterais do Viagra?

Os efeitos colaterais do Viagra independem da idade do usuário, ou seja, afetam tanto os mais novos quanto os mais velhos. Inclusive, no processo de testes de segurança e eficácia, foram recrutados jovens adultos, o que confirma o possível impacto colateral da medicação.

Só que, aqui, cabe uma ponderação importante: as causas da impotência sexual nos mais jovens tendem a ser diferentes que naqueles indivíduos que passaram dos 50 anos, como a predominância das doenças cardiovasculares. Por isso, a sildenafila nem sempre é uma boa (ou a melhor) opção.

A principal questão que leva indivíduos na faixa dos 20 a 30 anos a buscarem o Viagra está relacionada com a ansiedade e o medo de "não levantar" na hora da relação sexual. "Normalmente, quando se está excitado, o cérebro envia sinais para o pênis e faz com que ele se encha de sangue. Mas quando uma pessoa está ansiosa, o corpo libera hormônios do estresse (cortisol), que ativam a resposta de fuga. Como os altos níveis de cortisol contraem os vasos sanguíneos e reduzem o fluxo de sangue, isso pode dificultar a obtenção (ou manutenção) de uma ereção", explica Chantal Gautier, da University of Westminster, no Reino Unido, em artigo para o site The Conversation.

Eventualmente, a medicação pode driblar as limitações da ansiedade, mas não é essa a finalidade do medicamento. "Embora o Viagra possa funcionar para alguns, não é algo em que se deva apostar, especialmente se seus problemas de ereção forem causados ​​por ansiedade", pontua Gautier. Nesses casos, sem praticar a automedicação, o jovem deve conversar sobre as suas inseguranças com que mantêm relações sexuais e buscar aconselhamento profissional.

Diante das inúmeras complicações, é preciso reforçar que o uso de Viagra ou qualquer estimulante sexual deve ser feito com acompanhamento médico, dentro da dosagem indicada.

Fonte: Anvisa, Independent, The Journal of Laryngology & Otology, Retinal Cases & Brief ReportsHuman & Experimental Toxicology e The Conversation