Outubro Rosa: apesar da covid, não deixe os exames para depois

Outubro Rosa: apesar da covid, não deixe os exames para depois

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 01 de Outubro de 2021 às 11h05
Rido81/Envato

A pandemia da covid-19, ainda é um dos maiores problemas da saúde global, mas não é o único. Outros desafios, como os diferentes tipos de câncer e a menor taxa de exames preventivos, causam preocupação nos especialistas. Nesta sexta-feira (1), é iniciado o mês do Outubro Rosa, data que alerta, justamente, para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama.

"O câncer não espera", afirma o oncologista Max Mano, líder de tumores de mama do Grupo Oncoclínicas. Inclusive, a condição que afeta, prioritariamente, mulheres — a ocorrência em mulheres corresponde a 99% de todos os casos registrados mundialmente — faz parte do rol de doenças cujo tratamento não pode ser considerado eletivo (opcional), de acordo com o Ministério da Saúde. Afinal, o diagnóstico precoce é elemento chave no combate ao tumor.

Diagnóstico precoce é fator decisivo no combate ao câncer de mama (Imagem: Reprodução/NomadSoul1/Envato Elements)

Aumento no diagnóstico de câncer de mama no mundo, mas há queda na taxa de letalidade

Desenvolvido pela Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (IARC) — entidade intergovernamental que faz parte da Organização Mundial da Saúde (OMS) — e pela Sociedade Norte-Americana de Câncer (ACS), o estudo GLOBOCAN 2020 aponta para o aumento global no número de diagnósticos de câncer. Na análise, o câncer de mama passa para o primeiro lugar da lista entre os tipos mais diagnosticados de tumores, superando, pela primeira vez, os de pulmão.

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De acordo com Mano, o aumento no número de diagnósticos é reflexo do desenvolvimento das sociedades e maior acesso à saúde. "O contínuo aumento global na incidência do câncer de mama se deve a um conjunto de fatores que incluem mudanças no estilo de vida — tais como a epidemia de obesidade, uso de hormônios, menarca precoce/menopausa tardia, menor (e mais tardia) paridade/amamentação, maior consumo de álcool, sedentarismo —, demográficas, relativas ao envelhecimento da população, e, possivelmente, uma maior capacidade dos países ricos de fazerem diagnósticos", explica.

"Apesar da incidência crescente, em geral, a mortalidade por muitos tipos de câncer, especialmente o de mama, vem diminuindo nos últimos anos. A má notícia é que isso só tem ocorrido, ao menos de maneira consistente, nos chamados países desenvolvidos. Por causa da ocorrência de diagnósticos em estágio mais avançado e do menor acesso a tratamentos, a letalidade por câncer é maior em países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos, um fato cruel que foi acertadamente captado pelo estudo GLOBOCAN 2020", afirma o oncologista.

Por ano, 67 mil casos de câncer de mama são diagnosticados no Brasil (Imagem: Reprodução/Anna Tarazevich/Pexels)

Por mais que o câncer de mama apresente taxas menores de letalidade em comparação aos tumores de pulmão, os dados da OMS acendem um sinal vermelho. É preciso que haja maior incentivo por parte das políticas públicas na detecção da doença, principalmente em países emergentes, como o Brasil.

Necessidade: mais exames de mamografia

Para garantir que mulheres possam tratar qualquer tipo de câncer de mama — hoje, são 4 principais tipos, definidos de acordo com os receptores (proteínas que podem se conectar a determinados componentes do sangue) que estão presentes na membrana plasmática —, é preciso que estas pessoas tenham acesso aos exames.

De forma geral, a mamografia é o principal exame preventivo para identificação. Esta deve ser realizada anualmente por todas as mulheres acima dos 40 anos e a decisão por adiar ou não esse exame só deve ser tomada mediante apenas ao aconselhamento médico. Nesse sentido, as autoridades públicas devem promover, de forma massiva, o aumento da taxa de cobertura da mamografia, contrapondo as quedas observadas por causa da pandemia.

"O baixo investimento em medidas de prevenção e diagnóstico e da menor oferta de tratamentos oportunos e eficazes pode condenar os países subdesenvolvidos e em desenvolvimento a anos de atraso nas políticas de combate ao câncer em relação aos seus pares mais afortunados", defende o oncologista.

No caso brasileiro, o câncer de mama responde por cerca de 67 mil novos diagnósticos de câncer todos os anos, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA). No mundo, são estimados 2,3 milhões de novos casos de câncer de mama, segundo o estudo da OMS. Para essas pessoas, a chance de cura podem chegar a 95% ou mais quando o tumor é descoberto no início. Nesse contexto, o tratamento deve ser menos invasivo e, por isso, as paciente tem uma melhor qualidade de vida tanto durante quanto após o tratamento da doença.

Covid-19 causa atraso nos diagnósticos

Mamografias devem ser feitas todos os anos (Imagem: Reprodução/Twenty20photos/Envato Elements0

A descoberta tardia — causada pelo atraso na realização de exames — e a falta de acesso a tratamentos, estão entre os principais desafios, apontados pela OMS, para os tratamentos oncológicos. Em 2040, é estimado que a cada 5 pessoas, uma terá câncer em alguma fase da vida. Nos países mais pobres, a incidência da doença deve ter um crescimento superior a 80%, ou seja, as medidas de saúde pública serão ainda mais primordiais.

Na análise da OMS, um fator triste é destacado: a pandemia da covid-19 trará como consequência mais casos de pacientes com câncer em estágio avançado. Em 2020, o Brasil teve uma grande queda na busca pelo diagnóstico. Por exemplo, a mamografia apresentou queda de 84% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esta estimativa foi feita pela Fundação do Câncer, com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS).

Além disso, outros exames necessários para avaliar a saúde da mulher, como o citopatológico cervicovaginal (papanicolau) — importante tanto para diagnóstico quanto para rastreamento de câncer do colo do útero — também apresentou queda. Nesse caso, a redução foi de mais de 50%.

"Os reflexos do adiamento nos acompanhamentos médicos de rotina por medo de exposição ao novo coronavírus podem a curto e médio prazos, de fato, desencadear um aumento global nos índices de tumores descobertos em fase mais avançada. Isso vai impactar na sobrevida dos pacientes oncológicos, como uma das heranças perversas da pandemia para a saúde como um todo", aponta o oncologista. Por isso, vale repetir: "O câncer não espera".

Para acessar o estudo GLOBOCAN 2020 completo, publicado na revista científica American Cancer Society (ACS) Journal, clique aqui.

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