O que está por trás dos suicídios nas fábricas do iPhone?

Por Redação | 21 de Junho de 2017 às 08h41

As péssimas condições de trabalho nas fábricas de produtos da Apple não são novidade, mas um novo relatório mostra, na China, o que os funcionários da Foxconn vêm enfrentando ao longo dos últimos anos. O local se tornou destaque nesta terça-feira (20) não só pelo seu grande número de empregados (cerca de 400 mil), mas também pelas polêmicas que surgiram por conta da intensa produtividade a que os colaboradores são submetidos. De acordo com informações divulgadas pelo The Guardian, a fábrica atende clientes para a fabricação de consoles como PlayStation 4 e Xbox 360, câmeras GoPro, entre outros. Mas, ao que tudo indica, o maior cliente é a Apple, que utiliza a companhia para a montagem dos iPhones.

Em 2010, a empresa enfrentou uma crise na mídia internacional por conta de um número elevado de suicídios entre seus trabalhadores. Na época, o próprio Steve Jobs afirmou estar ciente dos casos. Apesar das 14 mortes e 18 tentativas de suicídio relatadas, o sigilo com que a fábrica lidou com a situação não permitiu que tudo fosse esclarecido. Na verdade, adentrar a área industrial é praticamente impossível, mas Brian Merchant, jornalista do The Guardian, conseguiu se infiltrar no território de 3 quilômetros quadrados.

De acordo com o repórter, a Foxconn é um ambiente devastador. "Sem sorrisos, sem piadas. É como se os trabalhadores não tivessem alma", relatou. "Tudo acontece por conta do imenso estresse, longas horas de trabalho e promessas não cumpridas pela administração, que repetidamente se comprometeu a empreender melhorias e o pagamento das horas extras", completou Merchant. Segundo suas observações, os trabalhadores da fábrica devem fabricar, no mínimo, 600 dispositivos diariamente. Para isso, os funcionários praticamente vivem dentro das instalações, compartilhando pequenos quartos com 7 pessoas.

Para se ter dimensão de quão alarmante é a situação, em 2012 um grupo de 150 trabalhadores subiu em um dos telhados ameaçando cometer suicídio em massa para protestar contra as condições de trabalho do local. A empresa ofereceu melhorias, mas, aparentemente, tudo não passou de promessas para evitar as mortes. Xu, um ex-trabalhador que acompanhou Merchant durante sua jornada, contou um pouco de sua experiência na Foxconn. "Não é a culpa da Apple, é culpa da Foxconn", defendeu. Apesar disso, Xu afirma que "ninguém pode mudar nada. Nada nunca vai ficar melhor."

O ex-funcionário relatou, ainda, que os números de suicídio que circulam pela imprensa são falsos, pois, segundo ele, há muito mais casos do que se imagina. Diante de toda a repercussão, a Foxconn frequentemente oferece acordos, mas que aparentemente nunca são cumpridos. De acordo com a reportagem, Tim Cook, atual CEO da Apple, chegou a visitar a fábrica em 2011 para definir políticas para garantir melhores condições para os trabalhadores, mas parece que, mesmo depois de seis anos, não houve qualquer melhora. "Não é um bom lugar para os seres humanos", finalizou Xu.

Fonte The Guardian

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