Novo exame que identifica o vírus da Zika deve ajudar as políticas públicas

Por Fidel Forato | 18 de Outubro de 2019 às 07h30
Divulgação

A microcefalia, embora seja o principal problema causado pelo vírus da Zika, é a ponta de um iceberg pouco conhecido. Com sintomas genéricos, como vermelhidão pelo corpo e febre baixa, até hoje não se sabe a real dimensão da epidemia no Brasil pela carência de dados. Por isso mesmo, novos exames sorológicos que detectam a presença de anticorpos contra o vírus, com maior precisão, são tão importantes.

Aprovado para comercialização, o novo exame desenvolvido pela empresa AdvaGen Biotech é mais eficiente porque apresenta uma capacidade maior em identificar se o indivíduo foi infectado, mesmo após o término da fase aguda da doença. Além disso, tem alta precisão, inclusive em pacientes que já tiveram dengue ou febre amarela, situações em que outros exames podem resultar um falso positivo.

Durante a fase de testes, o método foi aplicado em mais de 3 mil mulheres de diferentes partes do país, principalmente em áreas de alto risco de dengue, como São Paulo, Bahia e Goiás. O foco em mulheres, principalmente mães, acontece porque gestantes podem ter contraído o vírus, sem identificar a infecção, o que poderá afetar seus filhos no futuro.

Isso significa que “muitas das crianças que nasceram sem microcefalia podem vir a apresentar disfunções que só serão percebidas a partir da idade escolar”, afirma Edison Luiz Durigon, pesquisador do ICB-USP e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do novo teste. Entre as complicações percebidas ao longo do desenvolvimento, estarão o déficit cognitivo e as dificuldades motoras. Por isso, o novo teste deve ser estratégico na formulação de políticas públicas.

Mosquito vetor do vírus da Zika

Como funciona o novo teste?

“O primeiro surto da doença no Brasil ocorreu em dezembro de 2015 e já em julho de 2016 foram colocados no mercado uns três testes sorológicos. Porém, eles são pouco específicos e podem dar um resultado falso positivo caso o indivíduo já tenha tido dengue ou outra doença cujo patógeno pertence à mesma família dos flavivírus. E isso era muito comum em várias regiões do Brasil em que a dengue é endêmica”, afirma Danielle Bruna Leal de Oliveira, pesquisadora do Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do ICB-USP e coordenadora do projeto.

Contornando a situação, os pesquisadores desenvolveram o teste sorológico para detecção da proteína viral à qual os anticorpos do tipo IgG (imunoglobulina G) aderem durante a infecção. Dessa forma, é possível identificar se a pessoa está imunizada, pois as proteínas permanecem no organismo anos após a infecção.

A dificuldade da técnica, no entanto, estava no fato de a proteína viral ser muito parecida com as da dengue, zika e febre amarela. Assim, utilizaram no exame uma versão editada da proteína, apenas com o trecho da molécula que é específico para o zika.

O exame foi desenvolvido em colaboração com pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB-USP) e do Instituto Butantan. O projeto contou com apoio da FAPESP e da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) por meio do Programa PAPPE/PIPE Subvenção.

Fonte: Agência Fapesp

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