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Misofonia: quando sons específicos podem "enlouquecer" alguém

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Barulhos aparentemente simples, como o som da respiração, podem ser gatilhos para indivíduos com misofonia. Este distúrbio não causa um leve incômodo, o que poderia até ser comum. Na verdade, os sons geram uma resposta desproporcional emocionalmente. Por exemplo, quem tem a condição vai ser tomado por uma sensação de raiva ou ainda de ansiedade, além de sofrer com a tensão muscular.

"A misofonia é mais do que apenas ficar irritado com certos sons, é sentir-se preso ou desamparado quando você não consegue se livrar desses sons e perder coisas por causa disso. É sobre sentir que há algo errado com você pela maneira como você reage aos sons, mas também não ser capaz de fazer nada a respeito", resume Jane Gregory, pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

Quão comum é a misofonia na população?

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Dados sobre a misofonia na população são bastante limitados. Recentemente, uma equipe de cientistas, incluindo a pesquisadora Gregory e membros do King's College Londres, buscou medir a prevalência da condição no Reino Unido. Segundo os autores, em média, uma pessoa a cada cinco sofre com o distúrbio, de forma moderada ou grave.

Publicado na revista científica Plos One, o estudo envolveu 768 voluntários, sendo que 51% eram mulheres, o que corresponde ao perfil geral da população britânica. Indivíduos não-binários e transsexuais também foram recrutados nos testes que mediam a incidência do distúrbio em que sons normais podem nos "enlouquecer".

Fato curioso é que “a prevalência e a gravidade da misofonia parecem ser semelhantes em homens e mulheres", segundo os pesquisadores. Apesar disso, mulheres (com e sem misofonia) tendiam a se irritar com uma gama maior de sons do que os homens.

O que as pessoas com misofonia sentem?

Independente da pessoa conviver com o distúrbio ou não, alguns sons parecem ser universais em gerar incômodo. Por exemplo, mastigar alto, engolir, roncar e respirar alto. A questão é que, para a maioria, "a reação mais comum relatada foi a irritação, exceto no caso da mastigação ruidosa, em que o nojo foi mais frequente", explicam os pesquisadores.

Para as pessoas com misofonia, a reação a esses sons irritantes não costuma ser a irritação. De modo geral, a raiva e o pânico são relatados com mais frequência entre aqueles que convivem com o distúrbio psicológico.

Outro ponto de diferenciação é que aqueles que têm misofonia reagem de forma desproporcional a sons que não provocam gatilhos na população geral. Aqui, os cientistas destacam que o barulho da respiração normal de uma outra pessoa pode ser o suficiente para gerar uma reação desproporcional.

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Além disso, eles explicam que "a [irritação com o som da] deglutição é um indicador altamente confiável para indivíduos com níveis mais altos de misofonia". Para a maioria das pessoas, estes dois sons são indiferentes.

É importante compreender o que se sente

Antes de entrarem no estudo, a maioria dos voluntários desconhecia por completo o significado da palavra misofonia. Na visão da cientista Silia Vitoratou, do King's College London, "isso significa que a maioria das pessoas com misofonia não tem um nome para descrever o que está sentindo".

Sem conhecer o seu diagnóstico, estas pessoas podem se sentir descoladas da realidade e terem vergonha de suas reações aos sons, o que também as impedem de buscar a ajuda adequada. Com o apoio de psicólogos, as reações provocadas pelo distúrbio podem ser atenuadas. Em algumas circunstâncias, as pessoas também podem recorrer ao uso de tampões de ouvido.

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Fonte: Plos One e King's College Londres