Ministério da Saúde confirma primeiro caso suspeito de coronavírus em MG

Por Fidel Forato | 28 de Janeiro de 2020 às 15h17
Mark Schiefelbein/ AP Photo

Hoje (28), o Ministério da Saúde confirmou o primeiro caso suspeito do novo coronavírus chinês, conhecido provisoriamente como 2019-nCoV, na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Uma jovem de 22 anos apresentou sintomas da doença, após viagem para a cidade de Wuhan, epicentro dos casos na China. E é justamente pelo local visitado que a paciente se encaixa como a primeira suspeita oficial do vírus no país.

Em coletiva de imprensa realizada em Brasília, nesta manhã, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, comenta que "não se sabe, ainda, qual é a característica desse vírus, que é novo [...] Sabemos que ele tem alta letalidade." No entanto, Mandetta também esclarece que a paciente está sendo tratada em isolamento e apresenta boas condições de saúde. Sobre a situação dos parentes da estudante, o ministro explica que "toda a família está ótima". 

De acordo com o último Boletim Epidemiológico, "o caso suspeito trata-se de uma estudante de 22 anos que viajou para a cidade de Wuhan no período de 29 de agosto a 24 de janeiro de 2020. Relata não ter ido ao mercado, não teve contato com nenhuma pessoa doente e não procurou nenhum serviço de saúde. Em 20 de janeiro apresentou dor de garganta, dor no corpo, tosse seca esporádica e febrícula (37,7 ºC). O estado geral da paciente é bom, encontra-se estável e sem complicações."

Ministério da Saúde analisa caso de suspeita sobre possível coronavírus em Belo Horizonte (Imagem: Stock News Press)

Para os exames em andamento (e casos futuros de suspeita), é necessária a coleta de duas amostras respiratórias, que seguem o protocolo da gripe. Isso porque uma das amostras é encaminhada para o Centro Nacional de Influenza (NIC) e outra amostra é enviada para análise de metagenômica — estudo genômico da comunidade de microrganismos presentes para entender o que compõe a infecção. Quanto ao caso de Belo Horizonte, os resultados estão previstos para sexta-feira (31), quando poderá ou não acontecer a confirmação do primeiro caso do vírus no país.

Na coletiva, Mandetta ainda destaca uma série de ações de higiene que a população pode seguir para diminuir os possíveis casos de contaminação, como “lavar as mãos, evitar espirrar e tossir sem proteger a pessoa que está na sua frente, evitar tocar nos olhos, nariz, boca e evitar tocar pessoas que estejam doentes." Isso além de aconselhar quem estiver doente a não se expor outras pessoas.

Controle em viagens internacionais

Com o aumento do nível de alerta pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alto em relação ao risco global do novo coronavírus, o Ministério da Saúde orienta os brasileiros também sobre viagens para a China que só devem ser realizadas em casos de extrema necessidade.

Com quase três mil casos confirmados, segundo o último boletim da OMS, todo o território chinês passa a ser considerado área de transmissão ativa da doença — o que é uma atualização nos níveis de suspeitas e que amplia as circunstâncias até então consideradas. Dessa maneira, pessoas vindas desta localidade nos últimos 14 dias e que apresentem febre e sintomas respiratórios podem ser consideradas casos suspeitos, a partir de agora.

Fique por dentro:

Mandetta reforça que o Brasil está preparado para prestar a assistência necessária para a população, afinal “temos um sistema de vigilância robusto, reconhecidamente robusto, que já passou por três momentos de muita intensidade: SARS, Influenza e zika. Em todas as ocasiões nosso sistema de saúde respondeu muito bem”, destacou.

“Vamos aguardar o que a ciência vai trazer. Não adianta nos antecipar, a realidade da China é uma, mas temos que observar como esse vírus vai se comportar em outros países, em outras culturas, porque isso ainda não está claro”, comenta ainda o ministro da Saúde.

Atualmente, são contabilizadas 107 mortes causadas pelo novo coronavírus chinês e mais de 4.400 casos confirmados do vírus em todo o mundo, segundo o mapa interativo desenvolvido por pesquisadores da Johns Hopkins University.

Fonte: Ministério da Saúde  

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