Médico aponta coronavírus como um ensaio para uma Grande Pandemia

Por Nathan Vieira | 12 de Maio de 2020 às 17h16
Reprodução

E se a COVID-19 não for a pandemia mais grave a atingir a humanidade nos próximos anos? Pois é justamente nisso que acredita Eduardo Massad, médico, físico, professor emérito de Informática Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Para ele, aquilo que enfrentamos na atualidade é apenas o ensaio de algo muito maior.

Em entrevista à BBC News, Massad se refere a uma futura pandemia que poderia matar algo como 2 bilhões de pessoas no mundo em um ano, causando uma queda significativa na expectativa de vida da humanidade de 72 anos para 58. Questionado do porquê dessa teoria, o médico afirma que não há no momento evidências que indiquem o possível aparecimento de uma doença com impacto maior que a COVID-19, mas que há indícios baseados na sequência histórica de aparecimento de infecções com altas taxas de letalidade nos últimos 20 anos.

O médico da USP também toma por base a possibilidade teórica de mutações de vírus de transmissão respiratória a partir de cepas zoonóticas, como o H5N1 (gripe aviária), com letalidade maior que 50%, e que poderiam, dadas as condições de alta interação com animais infectados em alguns locais, passar a ser transmitidos entre humanos. "Caso um vírus como o H5N1 venha a se transmitir entre humanos por via respiratória, com as mesmas taxas de contágio que apresenta entre as aves, teremos aí um forte candidato".

Médico aponta coronavírus como a porta de entrada para a Grande Pandemia

Massad conta nessa entrevista que o tipo de organismo que transmitiria a Grande Pandemia seria um vírus respiratório de RNA com elevadas taxas de mutação e adaptabilidade, grande letalidade, alta taxa de contágio e transmitido diretamente de pessoa para pessoa, um conjunto particular de características. Ele ainda explica que o que o leva a crer que a COVID-19 não seja a Grande Pandemia, e sim um ensaio geral, são projeções de modelos matemáticos. "Isso ainda não é suficiente para ter um impacto significativo na expectativa de vida da humanidade, frente a um total de aproximadamente 60 milhões de mortes anuais no mundo, decorrentes de todas as outras causas".

O médico ainda observa que o ebola até poderia ter sido essa mencionada Grande Pandemia, mas sua letalidade muito alta não foi compensada por uma taxa ainda maior de transmissão. A doença do vírus ebola é grave, com uma taxa de letalidade que pode chegar até 90%. Afeta seres humanos e primatas como macacos, gorilas e chimpanzés.

Massad diz que o novo coronavírus deixou ensinamentos, como implementar medidas de distanciamento social, além das descobertas sobre vários mecanismos sobre sua patogenicidade e seu desenvolvimento na forma de doença. Segundo ele, serão úteis no enfrentamento de outros vírus respiratórios com vistas à produção de uma vacina, por exemplo. "Eu dividiria minhas preocupações entre imediatas e de médio e longo prazo. Além, é claro, do total de mortos ao final da pandemia, minha preocupação imediata é como faremos para relaxar as medidas de distanciamento social. Finalmente, temo que a imunidade pós-exposição não seja permanente, ou seja, pessoas que tenham tido a doença possam readquiri-la mais tarde", conclui o especialista.

Fonte: BBC

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