Mais resistentes a vacinas, variantes podem prolongar pandemia da COVID-19

Por Natalie Rosa | 03 de Fevereiro de 2021 às 09h15
Hakan Nural/Unsplash

Os resultados de novos estudos realizados com duas vacinas contra a COVID-19 mostraram que ambos os imunizantes se apresentam mais fracas na hora de imunizar o paciente contra a variante encontrada na África do Sul. Com os resultados, os cientistas reforçam a necessidade de vacinar o maior número de pessoas possível, o quanto antes, e alertam para o fato de que a pandemia ainda está longe de acabar.

"Claramente, as mutações têm um efeito diminutivo na eficácia das vacinas. Podemos ver que seremos desafiados", conta Anthony Fauci, diretor do National Institute of Allergy and Infectious Disease e imunologista. Os testes foram realizados com as vacinas da Johnson & Johnson e da Novavax com voluntários da África do Sul, onde está a variante está se espalhando.

De acordo com a Novavax, em declaração feita na última quinta-feira (28), a vacina mostrou eficácia de 50% na prevenção da COVID-19 entre pessoas da África do Sul, resultado abaixo dos testes realizados no Reino Unido, a fim de comparação, quando a porcentagem chegou a 89,3%. Na sexta-feira (29), a Johnson & Johnson revelou que os testes na África do Sul chegaram a apenas 57% de eficácia contra a variante.

Imagem: Reprodução/Alena Shekhovtcova/Pexels

"Estamos muito preocupados", disse Francis Collins, diretor do National Institutes of Health, revelando ainda que existe a possibilidade de aparecerem novas mutações caso a propagação não seja controlada. Os cientistas se preocupam ainda com a imunidade de rebanho, dizendo que será preciso que mais pessoas se vacinem para atingi-la, visto que as novas variantes são mais transmissíveis. No início da pandemia, os pesquisadores diziam que cerca de 70% da população deveria ser vacinada para atingir a imunidade de rebanho, e agora o número aumentou para entre 80% e 85%.

Dan Barouch, pesquisador de Harvard e um dos responsáveis pelo desenvolvimento da vacina da Johnson & Johnson, diz que agora estamos em uma pandemia diferente, revelando que há diversas novas variantes circulando pelo mundo, como no Brasil, Estados Unidos e África do Sul, e que a melhor forma de combater é evitando a propagação.

Fonte: Washington Post, Reuters

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