Macacos podem sentir o próprio batimento cardíaco, revela estudo

Macacos podem sentir o próprio batimento cardíaco, revela estudo

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 13 de Abril de 2022 às 10h45
AlbertoCarrera/Envato Elements

Uma equipe de cientistas britânicos e norte-americanos descobriu que os macacos são capazes de sentir os próprios batimentos cardíacos, de forma semelhante aos humanos. Na pesquisa sobre autopercepção, os experimentos foram feitos com macacos Rhesus (Macaca mulatta) e, no futuro, podem ajudar em investigações sobre o Alzheimer e outras demências.

Publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), o estudo sobre a capacidade de percepção foi desenvolvido por pesquisadores da Royal Holloway University, no Reino Unido, e da University of California, nos Estados Unidos.

Macacos sentem o ritmo do coração e se interessam por aquilo que foge deste padrão (Imagem: Reprodução/Ivankmit/Envato Elements)

Para ser mais preciso, o recente estudo investigou além da capacidade de autopercepção, avaliando a interocepção. O termo se refere à capacidade que um indivíduo tem de sentir o estado interno do seu corpo, como observar quando o coração ou a respiração se aceleram. Até então, pouco se sabia sobre esta habilidade em animais.

"A sensação de sinais corporais internos, como quando seu estômago está se contraindo ou seu coração está batendo, desempenha um papel crítico em amplas funções biológicas e psicológicas que vão desde a homeostase até a experiência emocional e a autoconsciência", explicam os autores.

Entenda o estudo sobre macacos

No estudo, a equipe de pesquisadores monitorou quatro macacos e descobriu que eles "gastam significativamente mais tempo visualizando estímulos apresentados de forma assíncrona, em comparação com síncrona, com seus batimentos cardíacos". Em outras palavras, os animais passaram mais tempo olhando para os estímulos apresentados fora de ritmo de seus batimentos cardíacos, independente da velocidade.

Além disso, as descobertas se assemelham com os resultados de um experimento similar, mas feito com bebês humanos. Por isso, a equipe entende que estes animais podem ter uma capacidade semelhante à humana de perceber seus batimentos cardíacos e ter um sentido interoceptivo. Ainda não está claro quais são os limites desta percepção.

Descoberta pode impactar pesquisa do Alzheimer

“A interocepção é extremamente importante para a regulação emocional e a saúde mental em adultos, e ainda sabemos muito pouco sobre como ela se desenvolve na primeira infância ou se desenvolve ao longo do tempo evolutivo. O trabalho que apresentamos aqui representa uma primeira tentativa bem-sucedida de preencher essas lacunas", explica Manos Tsakiris, da Royal Holloway University, em comunicado.

Para além da questão de percepção dos primatas não humanos (PNH), a descoberta possibilita a criação de um novo modelo de estudo para futuras pesquisas psiquiátricas e neuropsiquiátricas. Isso porque as disfunções na interocepção estão associadas com inúmeras condições, como ansiedade, depressão e Alzheimer.

“Esse modelo será usado em futuros estudos translacionais de doenças neurodegenerativas, incluindo Alzheimer. Se pudermos medir a interocepção, podemos rastreá-la como um biomarcador comportamental da progressão da doença”, completa Eliza Bliss Moreau, da University of California.

Fonte: PNAS e Royal Holloway University    

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