Ligação genética entre saúde mental na infância e na vida adulta é encontrada

Ligação genética entre saúde mental na infância e na vida adulta é encontrada

Por Augusto Dala Costa | Editado por Luciana Zaramela | 11 de Abril de 2022 às 12h10
Anthony Tran/Unsplash

Pesquisadores da University of Queensland, Austrália, encontraram uma ligação entre a ansiedade e depressão na infância com a persistência das condições na vida adulta. Segundo eles, parte do motivo está em fatores hereditários, ou seja, é passado de pai para filho. Ao todo, 64.641 crianças entre 3 a 18 anos participaram do estudo, o maior já feito na categoria.

Christel Middeldorp, professora da universidade e pesquisador parceiro do centro de pesquisa de saúde infantil, é uma das autoras do estudo. Ela comenta que o trabalho mostrou uma semelhança genética entre crianças que apresentavam níveis similares de ansiedade e depressão, além de marcadores genéticos compartilhados nos problemas de saúde mental entre infantes e adultos, analisados em comparação com resultados de pesquisas anteriores.

Crianças que apresentam ansiedade e depressão têm marcadores genéticos semelhantes, que se estendem a adultos com as mesmas condições (Imagem: LightFieldStudios/envato)
Crianças que apresentam ansiedade e depressão têm marcadores genéticos semelhantes, que se estendem a adultos com as mesmas condições (Imagem: LightFieldStudios/envato)

Depressão e estresse na infância: identificar para tratar

O estudo, segundo Middeldorp, é importante porque ajuda no diagnóstico e identificação de indivíduos com maior risco de apresentar sintomas durante a vida, adiantando o tratamento quando ele se tornar necessário. Essas variações genéticas, segundo ela, precisam ser investigadas porque aumentam o risco de recorrência e co-ocorrência com outros distúrbios de saúde mental.

Pessoas com ansiedade ou depressão possuem mais chances de desenvolver transtorno do déficit de atenção com hiperatividade, ou comportamentos agressivos, por exemplo. A pesquisa também revelou um papel das variações genéticas nessa co-ocorrência. A genética dá conta de 40% do risco de uma pessoa desenvolver sintomas de ansiedade e depressão, sendo que o restante fica por conta de fatores ambientais.

A autora comenta sobre as dificuldades enfrentadas pelos pacientes com esses distúrbios: enquanto é comum ver pessoas tendo sintomas de ansiedade e depressão ocasionalmente, algumas delas conseguem se ajustar às circunstâncias da vida com mais facilidade. Quando a ansiedade é mais crônica, no entanto, o sujeito fica remoendo a situação ruim e não consegue seguir em frente: a diferença entre o modo com que cada um lida com estressores (agentes que causam o estresse) é, em parte, genética.

O próximo passo, segundo os pesquisadores, é verificar como é a relação entre a genética e os fatores ambientes exatamente, como a vida familiar e escolar, analisando como esses fatores podem se juntar para causar os sintomas de ansiedade e depressão na vida infantil. O estudo foi publicado na revista científica Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry no último dia 31 de março.

Fonte: JAACAP

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