iPhone 11 Pro está tirando o sono de pessoas com tripofobia

Por Claudio Yuge | 13 de Setembro de 2019 às 12h00
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Ficha técnica

Uma das coisas que mais chamaram a atenção no lançamento do iPhone 11 é o novo conjunto de câmeras das versões premium, tanto do iPhone 11 Pro quanto do iPhone 11 Pro Max: os pequenos buracos para as lentes estão dispostas em forma de triângulo, enquanto o LED e o microfone ficam em posições diferentes.

Esse tipo de agrupamento vem incomodando bastante quem tem tripofobia, que é justamente a aversão a padrões como esse.

(Imagem: Apple)

“A Apple não pensou em nós que temos tripofobia ao fabricar o iPhone 11 Pro. Eu não posso comprá-lo, sentiria coceira o tempo todo, sempre que olhasse para ele”, disse um usuário no Twitter.

Logo em seguida, outra pessoa, achando se tratar de “mimimi”, lembrou que outros dispositivos também têm layout parecido — e que não houve tanto barulho por conta disso no passado.

Há certa razão nisso, pois o novo Mac Pro, anunciado em junho, causou efeito semelhante.

Não é “mimimi”

O Dr. Geoff Cole, professor de psicologia da Universidade de Essex, publicou o primeiro estudo sobre essa condição, em 2013. Ao Metro/UK, ele confirmou que o novo aparelho pode disparar a tripofobia por conta da estrutura matemática dos buracos.

“A câmera possui os recursos críticos necessários para causar uma resposta porque é composta por um conjunto de furos. Qualquer coisa pode induzir tripofobia, desde que tenha esse padrão. Pode ser qualquer coisa, desde chocolate aerado, buracos de sementes de lótus ou até as luzes de freio de um Peugeot 206”, comenta o especialista.

(Imagem: IFL Science)

Ele afirma que todos temos algum grau de tripofobia e o que muda é a intensidade. Algumas pessoas chegam a apresentar reações extremas. Há casos em que pessoas vomitaram ou ficaram se coçando, tiveram aumento de batimento cardíaco e tremores e até mesmo ficaram dias sem trabalhar. “Pode ser bastante incapacitante”, complementou o professor Arnold Wilkins, colega de Cole.

De onde vem essa condição?

Pouco se falava sobre tripofobia antes da publicação do próprio Dr. Cole, em 2013. Ele diz que, assim como outras fobias, muitas pessoas começam a reagir a essa condição ao presenciar o comportamento averso de outras — de forma semelhante a outros medos irracionais, como de ratos, baratas e outros males naturais. "Isso é o mesmo para a maioria das fobias. As pessoas não nascem com medo de ratos, aranhas ou baratas, mas podem ver o medo de sua mãe ou pai enquanto são crianças em desenvolvimento e efetivamente desenvolvem a fobia”, projeta.

Sua pesquisa também considera o fato de estarmos perante a uma defesa instintiva do organismo, que, ao longo dos anos, desenvolveu um alerta de perigo com padrões semelhantes na natureza, a exemplo de polvo-de-anéis-azuis, um dos animais com veneno mais poderoso do mundo; e doenças e infecções como varíola e sarampo.

(Imagem: PetPop

Outra teoria envolve a dificuldade que o cérebro pode ter para processar os padrões matemáticos das estruturas desses orifícios, forçando maior oxigenação e uso da energia. Certo é que a fobia dos humanos por várias outras coisas que antes não eram registradas como prejudiciais só aumenta ao longo das décadas.

O que fazer se eu sentir tripofobia extrema?

Embora a tripofobia não seja reconhecida oficialmente, pois não pode ser diagnosticada, os cientistas descobriram que 16% dos adultos participantes de suas pesquisas reagiram com aversão a padrões repetitivos, tendo reações fisiológicas, como aumento dos batimentos cardíacos e arrepios, náuseas e tremores.

“Ver certas coisas faz mal para você. Vemos isso na epilepsia fotossensível ou quando os padrões de estrias induzem enxaquecas”, destaca Cole.

Se você passar mal, é aconselhável evitar olhar para isso e se acalmar, respirar fundo e tentar não pensar sobre, afinal o desconforto começa na sua mente.

Fonte: Metro/UK, BBC, IFL Science

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