Inteligência artificial pode prever quando você vai morrer

Por Redação | 03 de Julho de 2017 às 12h49

Ainda não sabemos qual é o limite da Inteligência Artificial, mas parece que os cientistas estão dispostos a descobrir. De acordo com informações divulgadas na última sexta-feira (30), pesquisadores estão aplicando IA, particularmente aprendizagem de máquina e visão computacional, para prever quando alguém irá morrer. Mas calma! O objetivo da pesquisa não é que o sistema desempenhe papel de adivinho, e sim que seja capaz de auxiliar no tratamento e na prevenção de doenças.

O estudo mais recente na área utilizou uma plataforma em larga escala para analisar 48 exames de tomografia computadorizada de tórax. Acredite se quiser, a máquina foi capaz de prever quais pacientes morreriam dentro de cinco anos com 69% de precisão, resultado tão bom quanto o de qualquer médico humano. Os resultados foram publicados no Nature Journal Scientific Reports por uma equipe da Universidade de Adelaide.

Em uma entrevista ao Singularity Hub, o autor principal do estudo, Dr. Luke Oakden-Rayner, radiologista e estudante de doutorado, explicou que um dos benefícios de aplicar a inteligência artificial na Medicina é a possibilidade de identificar rapidamente os riscos para a saúde dos pacientes para que as intervenções adequadas sejam efetuadas. Além disso, o especialista acredita que a promessa da IA poderá acelerar as pesquisas para uma maior longevidade.

"Atualmente, a maioria das pesquisas sobre doenças crônicas e longevidade requer longos períodos de seguimento para detectar qualquer diferença entre pacientes com e sem tratamento, porque as doenças progridem muito devagar", declarou. "Se pudermos quantificar as mudanças anteriormente, não só poderemos identificar a doença para intervir de forma mais eficaz, mas também poderemos detectar a resposta do tratamento muito mais cedo."

Além das pesquisas do Dr. Luke Oakden-Rayner, em janeiro pesquisadores do Imperial College de Londres publicaram resultados que sugeriam que a IA poderia prever insuficiência cardíaca e morte melhor do que um médico humano. A pesquisa, publicada na revista Radiology, envolveu o desenvolvimento de corações 3D virtuais de cerca de 250 pacientes, simulando suas funções cardíacas. Os algoritmos, então, passaram a trabalhar para saber quais recursos seriam as melhores alternativas a partir de ressonâncias magnéticas, exames de sangue e outros dados de análises. O resultado? A máquina realmente se deu melhor que os médicos.

"Nós gostaríamos de desenvolver a tecnologia para que ela possa ser usada em diversas condições cardíacas para complementar a forma como os médicos interpretam os resultados dos exames clínicos", disse o co-autor do estudo, Dr. Tim Dawes, em um comunicado à imprensa. "O objetivo é ver se melhores previsões podem orientar o tratamento para ajudar as pessoas a viverem mais tempo", completou.

O fato é que, apesar da expectativa ser de que os avanços em IA se deem rapidamente, ainda há muito trabalho a ser feito para o desenvolvimento da tecnologia. De acordo com os especialistas, mesmo as máquinas sendo boas em adivinhar a morte dos pacientes, elas ainda não levam em conta fatores aleatórios, como acidentes fatais, por exemplo. Apesar disso, já há estudos de IA para a avaliação de riscos para acidentes a partir de fotos.

Mesmo com toda a tecnologia, as pesquisas têm levantado uma questão: será que as pessoas realmente querem saber quando vão morrer? Segundo um artigo publicado na Psycholoy Review no início deste ano, a resposta é "não". Ainda assim, Obermeyer vê a situação de forma diferente, pelo menos quando se trata de pessoas que vivem com doenças que ameaçam as suas vidas.

Fonte: Singularityhub

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