Inteligência Artificial pode diagnosticar doenças igual a médicos, diz pesquisa

Por Rafael Rodrigues da Silva | 26 de Setembro de 2019 às 17h35

Uma nova descoberta pode mudar a forma como as inteligências artificiais (IAs)a são tratadas dentro da medicina, já que descobriu-se que, no caso diagnósticos obtidos através da análise de imagens, as IAs existentes no mercado conseguem resultados comparáveis ao de especialistas clínicos.

A descoberta foi feita pelo professor Alastair Denniston e e pelo doutor Xiaoxuan Liu, ambos pesquisadores ligados ao hospital-escola da Universidade de Birmingham. Para isso, os pesquisadores fizeram uma revisão de todos os estudos existentes sobre diagnósticos de imagem feitos por IA, chegando a conclusão de que a tecnologia já consegue diagnosticar pacientes com a mesma qualidade que médicos humanos.

Ao iniciar os trabalhos, os pesquisadores descobriram que atualmente existem mais de 20 mil trabalhos acadêmicos sobre diagnósticos feitos por IA a partir de uma imagem desde 2012 — data importante pois foi o momento onde as tecnologias de deep learning finalmente se estabeleceram com a qualidade desejada. Este tipo de tecnologia é a base de toda IA que faz diagnósticos baseados em imagem, e consiste em um forma mais sofisticada de algoritmo de aprendizado de máquina, onde uma biblioteca de imagens é configurada no banco de dados de uma IA, que então é ensinada a distinguir as pequenas diferenças entre imagens semelhantes entre si e a classificá-las em diferentes níveis de prioridade.

Mas a primeira barreira encontrada foi o fato de a enorme maioria desses estudos serem de “baixa qualidade”, ou seja, não possuíam todos os dados e condições necessárias para serem considerados como estudos sérios sobre as diferenças de diagnóstico entre IA e humanos. Assim, desses mais de 20 mil estudos, apenas 14 tinham qualidade suficiente para ser aproveitados pela pesquisa, pois apenas esse pequeno número de estudos satisfazia todas as exigências dos cientistas: os diagnósticos eram feitos em cima de casos reais de doenças em humanos, a base de imagens usadas para testar a eficiência da IA era totalmente diferente da base de dados usada para treiná-la, e as mesmas imagens que foram mostradas para a IA também foram mostradas para especialistas clínicos humanos, que também definiram seus diagnósticos para elas.

Ao revisar os resultados de todos esses estudos, os pesquisadores chegaram à conclusão de que, entre os resultados em que considerou como a existência de uma doença, a IA acertou em 87% desses diagnósticos, enquanto entre os resultados que considerou como sem nenhum problema, o acerto foi de 93% dos diagnósticos. Os valores estão bem próximos dos especialistas humanos, que acertaram 86% dos diagnósticos de doença, e 91% dos diagnósticos onde afirmaram não haver qualquer problema com o paciente. Apesar disso, há um “asterisco” no resultado dos especialistas humanos, já que em todos os experimentos esses diagnósticos foram dados apenas observando as imagens e sem ter qualquer contato com o paciente, e conhecer quem é o paciente e ter contato com o histórico dele (como doenças que já teve no passado ou se a família possui algum tipo de enfermidade crônica), como acontece nas consultas diárias, tem o potencial para aumentar a porcentagem de acertos desses profissionais.

Para o professor David Spiegelhalter, vinculado ao departamento de matemática da Universidade de Cambridge, a pesquisa serviu para provar como o campo de uso de IA para diagnósticos está cheio de trabalhos sem o necessário rigor científico, e que o hype sobre o uso de IAs na medicina — tanto da imprensa quanto dos próprios laboratórios — tem servido para esconder a baixa qualidade desses estudos que prometem uma verdadeira revolução na prática clínica.

Apesar da descoberta sobre a baixa qualidade dos estudos, Denniston se mantém otimista sobre o potencial da IA na medicina, afirmando que ela pode ser uma ferramenta importante para acabar com as filas de diagnósticos que existem nos principais hospitais do mundo, além de poderem ser uma ótimo substituta a ser usada em regiões mais distantes das capitais, que costumam não ter muitos especialistas.

Mesmo reconhecendo a importância, ambos os autores da pesquisa alertam que toda essa empolgação sobre as IAs substituírem o papel dos médicos humanos é exagero, e que o máximo que esses sistemas conseguem é igualar a qualidade de diagnósticos dos especialistas, mas nunca conseguirá superá-los e garantir diagnósticos com total segurança nos acertos.

Fonte: The Guardian

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