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Imersão em água fria: banho gelado e mergulho no gelo melhoram saúde?

Por| Editado por Luciana Zaramela | 19 de Maio de 2023 às 16h02

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Gpointstudio/Envato
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O uso da técnica de imersão em água fria é bastante comum, especialmente entre os atletas. A promessa é que nadar em lagos congelantes, tomar banhos realmente gelados ou mergulhar numa banheira de gelo impactam positivamente a saúde física. Inclusive, poderia reduzir a dor muscular e acelerar a recuperação. No entanto, especialistas questionam tais benefícios, além do fato de que, em alguns casos, o gelo também "queima".

É inegável a existência de relatos anedóticos sobre os benefícios da imersão em água fria. No entanto, essas evidências têm baixo valor científico. De modo geral, os saberes da ciência são construídos a partir de testes (muitos testes) e, na maioria das vezes, envolvem o uso de placebos (substância ou prática sem impacto naquela condição).

Outro adendo: o simples fato de a pessoa saber que algo pode ajudar é capaz de gerar benefícios palpáveis. Este fenômeno é conhecido como efeito placebo. Na ciência, a substância sem efeito é acrescentada nos estudos para confundir os voluntários. Com isso, os autores chegam a uma conclusão mais próxima do real, contornando os efeitos da mente. Hoje, muitos especialistas consideram a imersão em água fria como um placebo, só que bastante popular.

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Imersão em água fria é um placebo?

No momento, a maioria dos estudos que observam os efeitos da água gelada na saúde não foram feitos envolvendo o uso de um placebo, direcionado a alguns voluntários. Diferente da “regra”, pesquisadores da Victoria University, na Austrália, testaram o impacto da imersão no corpo, de forma bastante completa.

Publicado na revista Medicine & Science in Sports & Exercise (Msse), o estudo de 2014 recrutou 30 homens saudáveis e fisicamente ativos. Todos os voluntários participaram de uma aula de spinning (bicicleta) de alta intensidade e, em seguida, tomaram um dos três tipos de banho propostos:

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  • Banho gelado, com temperatura aproximada de 10 °C;
  • Banho morno, de 35 °C;
  • Banho placebo, onde um óleo “especial” foi acrescentado, de 35 °C.

Antes de entrarem no banho, os participantes do grupo placebo tiveram acesso aos supostos benefícios do “óleo milagroso" na recuperação. As informações contidas no folheto oferecido levavam o indivíduo a acreditar que a prática era tão eficaz quanto o banho gelado.

Segundo os autores, os participantes consideraram o banho com o óleo tão eficaz quanto o que envolvia imersão em água fria. Para a equipe, isso evidencia que “os benefícios fisiológicos comumente hipotéticos em torno da imersão em água gelada são, pelo menos, parcialmente relacionados ao [efeito] placebo”.

Riscos dos banhos gelados e do gelo para a saúde

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Considerando a eficácia dos banhos gelados e dos baldes de gelo, mais estudos ainda são necessários para comprovar se, de fato, oferecem benefícios para os indivíduos. Agora, por outro lado, a imersão em águas geladas pode ter alguns riscos à saúde e estes devem ser considerados.

“A pesquisa sobre os benefícios potenciais da terapia com água fria ou da natação ao ar livre [em baixas temperaturas] está em seus estágios iniciais, mas o que está claro é que a imersão em água fria pode ter efeitos potencialmente prejudiciais ao corpo humano”, afirmam pesquisadores da Universidade de Portsmouth, na Inglaterra, em artigo para o site The Conversation.

Nesses casos, a prática pode ir contra o principal requisito de qualquer terapia: não fazer mal para o indivíduo. De modo geral, os problemas aparecem nos extremos, ou seja, quando a água está fria demais. Em busca dos supostos benefícios e sem um protocolo específico (temperatura e tempos ideais), alguns indivíduos podem levar o corpo ao limite.

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Sem os parâmetros básicos, a pessoa pode sofrer uma lesão por frio não congelante. A baixa temperatura provoca danos aos nervos e aos vasos sanguíneos, afetando de forma duradoura e negativa uma região do corpo. Por exemplo, o indivíduo pode desenvolver dor e maior sensibilidade associados a região expostas por um tempo indeterminado.

Na história, a condição foi muito associada ao período de guerra, sendo apelidada de “pé de trincheira”. “Porém, não são apenas os militares que são suscetíveis, e casos foram relatados recentemente em pessoas que dormem mal e praticam esportes aquáticos”, acrescentam os pesquisadores ingleses.

Então, se a ideia for mergulhar em águas geladas ou tomar um banho muito frio, mesmo sabendo da baixa qualidade das evidências científicas, é preciso evitar uma temperatura congelante e permanecer pouco tempo nessas condições, respeitando os limites do corpo. A experiência deve chegar ao fim antes mesmo de casos de dormência e dores, pontuam os britânicos.

Fonte: Msse e The Conversation (1) e (2)