Gene pode ser indicador de Alzheimer em mulheres, diz estudo
Por Fidel Forato • Editado por Luciana Zaramela |

Risco de Alzheimer em mulheres parece ser maior na presença de um gene, o MGMT, segundo cientistas norte-americanos. A relação da atividade gênica com a incidência da doença neurodegenerativa em homens ainda deve ser melhor investigada, já que quase todas as pessoas inscritas no estudo eram mulheres. No total, foram mais de 10,3 mil voluntárias.
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Publicado na revista científica The Journal of the Alzheimer's Association, o estudo sobre o gene e o aumento do risco de Alzheimer em mulheres foi liderado por pesquisadores da Universidade de Chicago e da Escola de Medicina da Universidade de Boston, ambas nos Estados Unidos.
Estudo sobre o risco aumentado em mulheres
"Esta é uma das poucas e, talvez, as associações mais fortes de um fator de risco genético para a doença de Alzheimer, que é específico para as mulheres", explica a cientista Lindsay Farrer, autora sênior do estudo e professora da Universidade de Boston.
Após analisar os dados disponíveis, a equipe de cientistas descobriu que a expressão gênica do MGMT — que atua na reparação de danos no DNA — está significativamente associada ao desenvolvimento das proteínas beta-amiloide e tau, especialmente em mulheres. As duas proteínas são entendidas como importantes marcadores da doença, quando concentradas no cérebro.
“Esta descoberta é particularmente robusta, porque foi confirmada independentemente em duas populações distintas, usando abordagens diferentes”, acrescenta Farrer. Aqui, vale explicar que as voluntárias do estudo foram recrutadas em duas populações diferentes: os inscritos do Alzheimer's Disease Genetics Consortium (ADGC) e pessoas que se identificam como huteritas.
Anteriormente, a ciência já descobriu algumas variantes genéticas que aumentam o risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Entre eles, o mais conhecido — para pessoas com mais de 65 anos — é o alelo APOE 4. No entanto, este não é o único marcador da doença neurodegenerativa e, conforme as pesquisas avançam, melhor deve ser a compreensão da medicina sobre as suas origens e riscos.
Fonte: The Journal of the Alzheimer’s Association e Boston University