Gato é diagnosticado com COVID-19 na Bélgica, mas não há razão para pânico

Por Rafael Arbulu | 30 de Março de 2020 às 11h25

Um gato na Bélgica tornou-se o primeiro felino a contrair a COVID-19, a doença que deriva do novo coronavírus. De acordo com a Faculdade Veterinária da província de Liege, o animal contraiu a doença de sua dona, uma mulher que foi infectada na semana anterior. Segundo a instituição, tanto a mulher como o pet se encontram em bom estado e estão sendo monitorados desde sábado (28).

“O gato vivia com a dona, que contraiu a doença na semana anterior”, afirmou Steven Van Gucht, pesquisador da faculdade veterinária. “O gato apresentou quadro de diarreia, vômito constante e dificuldades respiratórias. Os pesquisadores encontraram sinais da COVID-19 nas fezes do animal”.

Van Guch ressalta que, apesar do caso confirmado em Liege, contaminações do SARS-CoV-2 são pontuais em animais. No mundo todo, contando com o caso deste felino, foram apenas três confirmações — as outras duas referem-se a dois cães na China. O animal belga, dizem as autoridades, passa bem.

Caso de infecção do novo coronavírus em gato na Bélgica é isolado e não muda a percepção de que animais não são vetores de transmissão, dizem especialistas

Em outras palavras, este é um caso isolado: “É válido ressaltar que, neste caso, estamos falando da transmissão de um humano para o animal, e não o contrário”, disse Van Gucht. “Não há qualquer indicação de que isso [animais contraírem a doença] seja comum. O risco de transmissão de animais para humanos é bem pequeno”, continuou o especialista.

O Conselho Nacional de Proteção do Animal na Bélgica endossou o discurso do pesquisador para dissuadir eventual desconforto da população com os animais: “[Eles] Não são vetores da epidemia, então não há motivos para abandonar o seu pet”, ressaltou a organização, que também reiterou a necessidade de serem mantidos os hábitos de higiene, ou seja, lavar as mãos antes e depois de acariciar o animal e “não esfregar o nariz nos pets”.

Em Hong Kong, China registrou dois casos em que cães eram portadores assintomáticos do novo coronavírus, mas não apresentavam risco de repassá-lo a humanos

Jane Sykes, chefe de veterinária da Universidade da Califórnia, faz eco à percepção das autoridades belgas. Em entrevista ao Huffington Post, a especialista disse que os animais podem ser o “ponto final” da COVID-19, ou seja, eles podem acabar hospedando traços do novo coronavírus, mas não conseguem dispensá-los a ponto de infectar seres humanos.

“Não é tão surpreendente assim vermos um gato infectado”, ela disse. Segundo ela, os felinos, junto dos furões, contraíram outro tipo de coronavírus há alguns anos — o surto de SARS no início da década dos anos 2000. Mas naquela época também não houve evidências de transmissão dos gatos para o homem — sem contar que os furões ficaram bem mais doentes que os felinos, ela apontou.

Os hábitos corriqueiros de higiene também se aplicam a donos de pets para que estes também fiquem mais seguros e protegidos de infecções pelo novo coronavírus

Sykes ainda disse que, no caso específico do gato belga, mais testes seriam necessários, haja vista que ele apresentou sintomas mais intensos, o que leva à conclusão de que ele realmente passava por uma infecção real, diferente de outros casos em que animais contraíram a doença.

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos — bem como diversas autoridades sanitárias ao redor do mundo — recomendam que pessoas que contraíram a COVID-19 procurem o auxílio de amigos para cuidar de seus pets, mas todos ressaltam que o risco de contaminação pelos animais é praticamente nulo.

Fonte: Brussels Times; Huffington Post

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