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Fogão a gás libera produtos cancerígenos no ar

Por| Editado por Luciana Zaramela | 22 de Junho de 2023 às 11h06

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Teona Swift/Pexels
Teona Swift/Pexels

O fogão a gás é um dos eletrodomésticos mais presentes nas casas brasileiras — embora o uso de lenha sobreviva em alguns lugares mais pobres, e os lares mais modernos já adotem o fogão elétrico. Apesar da popularidade, cozinhar em fogão a gás pode não ser uma boa ideia para a saúde, já que o preparo libera no ar o benzeno, um químico conhecido pelo seu potencial cancerígeno. Outros compostos nocivos também são liberados, como o dióxido de nitrogênio.

Em estudo publicado na revista científica Environmental Science & Technology, os pesquisadores da Universidade Stanford descobriram que fogões a gás aumentam os níveis internos do carcinógeno benzeno acima dos encontrados ao redor de fumantes passivos de tabaco. No total, foram avaliadas 87 residências nos Estados Unidos.

Esse elevado nível de liberação do químico cancerígeno é obtido no uso comum do fogão a gás. Por exemplo, quando o cozinheiro usa uma chama alta ou ajusta a temperatura do forno para 176 °C ou mais. Além da emissão momentânea, o benzeno consegue permanecer por algumas horas poluindo o ar dentro da casa e chegando aos quartos. Na contramão, a mesma pesquisa descobriu que os cooktops por indução não emitem benzeno detectável.

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O que é benzeno?

Devido aos seus riscos, o benzeno está na lista dos 10 maiores problemas químicos para a saúde, elaborada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Isso porque é capaz de afetar tanto o meio-ambiente quanto a saúde de uma população. Entre as pessoas, é associado com um risco aumentado para leucemia e outros tipos de câncer no sangue.

Qual é a principal fonte de exposição em relação ao benzeno?

"A principal fonte de exposição ambiental ao benzeno ocorre por meio da eva­poração da gasolina", explica o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Inclusive, "nos grandes centros urbanos, onde há maior concentração de veículos, a população em geral está exposta a concentrações preocupantes de benze­no no ar", acrescenta o instituto.

"Agora sabemos que o benzeno também se forma nas chamas dos fogões a gás em nossas casas”, pontua Rob Jackson, autor sênior do estudo e professor da Stanford, em nota sobre os riscos do subproduto da combustão. “Uma boa ventilação ajuda a reduzir as concentrações do poluente [na cozinha], mas descobrimos que os exaustores eram frequentemente ineficazes na eliminação da exposição ao benzeno”, complementa.

Como reduzir o benzeno emitido pelo fogão a gás?

Diante das evidências que apontam a emissão de benzeno associado ao fogão a gás, uma proposta radical é trocar o eletrodoméstico atual por um fogão elétrico. No entanto, essa é uma medida pouco viável, ainda mais quando não existem incentivos ou campanhas nacionais que facilitem essa troca de hábito.

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Mais próximo da realidade, uma boa estratégia é sempre cozinhar com as janelas e portas abertas da cozinha, garantindo o máximo de ventilação, mesmo que isso impacte um pouco a força da chama. Usar exaustores ou ventiladores podem ajudar nessa dispersão, mesmo que não sejam 100% eficazes.

Embora o atual estudo não tenha medido este risco, é válido destacar que os cuidados devem ser redobrados entre aqueles que cozinham diariamente, já que são as mais expostas ao benzeno liberado pelo fogão a gás.

Vale lembrar que, além do benzeno, esse tipo de fogão já é conhecido pelas altas emissões de metano, gás associado ao efeito estufa. Estudos anteriores identificaram que a liberação de metano continua, mesmo quando o eletrodoméstico está desligado.

Fonte: INCA, Environmental Science & Technology e Universidade Stanford