Experimento na ISS vai ver se células cancerígenas morrem na microgravidade

Por Rafael Rodrigues da Silva | 04 de Setembro de 2019 às 08h40

A cura para o câncer é o “Santo Graal” dos pesquisadores de medicina de todo o mundo, e um time de cientistas da Austrália está estudando um método nada convencional de tratamento: mandar a doença para o espaço.

Essa ideia surgiu após a descoberta recente de que, ao serem sujeitas a um ambiente de microgravidade criado em laboratório, a maior parte das células cancerígenas de um organismo que estava sendo estudado morreram sem a necessidade de qualquer tipo de tratamento.

Por isso, uma equipe de cientistas da Universidade de Tecnologia de Sydney (Austrália) quer enviar amostras de células cancerígenas para a Estação Espacial Internacional (ISS) com o objetivo de testar se células cancerígenas realmente morrem em ambientes de microgravidade, ou se os resultados obtidos em laboratório não passaram de coincidência.

Segundo os cientistas australianos, uma possível explicação para a morte dessas células seria a de que, inseridas em um ambiente de microgravidade, as células cancerígenas perderiam a capacidade de se comunicar entre si e saber o que acontece no ambiente à sua volta.

Em entrevista para a ABC News, Joshua Chou - pesquisador que lidera o experimento de mandar amostras de cânceres para a ISS - explicou que, quando colocadas em ambientes de baixa gravidade, as células experienciam uma condição chamada de descarregamento mecânico. Isso quer dizer que a falta de uma força padrão (a gravidade) afeta não apenas a capacidade de movimento da célula, mas até mesmo o funcionamento e a capacidade dela de sobreviver.

Por enquanto, o plano da equipe é gastar cerca de US$ 200 mil para enviar uma caixa cheia de células cancerígenas de fígado vivas para a ISS em 2020, e assim conseguir uma melhor compreensão de como a microgravidade afeta o ciclo de vida delas. Mesmo que o experimento seja bem sucedido, Chou pede cautela, já que a microgravidade não deverá ser a tão esperada cura para o câncer, mas sim apenas um facilitador a ser usado junto com outros tratamentos (como a quimioterapia, por exemplo) como forma de aumentar a eficácia desses procedimentos.

Fonte: ABC News

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.