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Este vírus pode transformar células saudáveis em cancerígenas, segundo estudo

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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claudioventrella/Envato
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Cientistas identificaram como o HTLV-1 — conhecido oficialmente como vírus linfotrópico de células T humanas do tipo 1 — pode transformar células saudáveis do sistema imunológico em cancerígenas. Isso porque, em alguns pacientes, esta infecção leva ao aparecimento de um tipo de leucemia rara.

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Entender melhor esse processo do HTLV-1 no organismo pode contribuir para a descoberta de novos tratamentos contra as suas complicações, principalmente o câncer. No Brasil, cerca de 750 mil pessoas convivem com a infecção, segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

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Liderado por pesquisadores do Imperial College London e da Kumamoto University, o estudo foi publicado na revista científica Journal of Clinical Investigation.

Conheça as complicações do HTLV-1

Segundo os pesquisadores, a leucemia ou linfoma de células T do adulto se desenvolve em cerca de 5% das pessoas infectadas com o HTLV-1, só que se passam anos até a evolução.

O tempo entre a infecção inicial e o câncer não é possível de ser previsto, nem se a progressão será lenta ou agressiva. O que se sabia é que, nesse intervalo, o vírus infecta as células T do sistema imunológico e as transforma em células cancerígenas.

Além do câncer, o vírus pode causar mielopatia associada ao HTLV-1. Essa é uma doença neurológica semelhante à esclerose múltipla e de elevada morbidade.

De acordo com o Inca, o HTLV pode ser transmitido de maneira semelhante ao HIV. A seguir confira quais são as principais formas de contraí-lo:

  • Transfusão de sangue;
  • Aleitamento materno (transmissão vertical);
  • Ato sexual;
  • Compartilhamento de seringas e agulhas infectadas;
  • Acidente com material contaminado perfuro-cortante.

Como o vírus transforma células em cancerígenas?

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Na primeira etapa, o HTLV-1 invade as células T e permanece em um estado de latência. Isso significa que ele não libera nenhuma nova partícula viral ou causa quaisquer efeitos nocivos. Para muitos portadores, o agente infeccioso nunca sai dessa etapa, mas, em alguns pacientes, o vírus desperta e começa a causar complicações.

No total, os pesquisadores analisaram mais de 87 mil células T de doadores sem o vírus, de pessoas que convivem com a infecção "inativa" e de pacientes com o tipo raro de leucemia. A partir desse levantamento, a equipe sequenciou o RNA dessas células para entender como HTLV-1 estava no interior delas.

No grupo de pessoas com câncer, o HTLV-1 fez com que as células T infectadas se tornassem hiperreativas. Para os pesquisadores, essas mudanças deixaram as células do sistema imune mais vulneráveis ​​a danos ao DNA, o que pode ocorrer através de agentes químicos ou pela radiação. Por sua vez, isso acelera a transição delas para um estado canceroso.

Agora, estudos mais aprofundados são necessários para compreender os processos envolvidos, segundo os pesquisadores. Uma das ideias é entender se a ativação crônica das células T pode ser interrompida de alguma forma.

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