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Epigenética: nova técnica permite modificar o DNA sem apagá-lo

Por  • Editado por  Luciana Zaramela  | 

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Pixabay
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Cientistas conseguiram, através de edição epigenética, modificar o DNA para tratar os efeitos do alcoolismo em roedores. Isso significa que os genes não foram apagados — como no método Crispr, que funciona como uma "tesoura" genética —, mas sim sua expressão foi modificada, mudando a forma como eles agem no corpo do indivíduo.

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Normalmente, mudanças epigenéticas ocorrem ao longo da vida, caracterizadas por mudanças químicas decorrentes do comportamento, como dietas, consumo de álcool ou de tabaco, ou exposições ambientais, como a toxinas, raios ultravioletas ou radiação. É como se fosse a memória molecular que representa as experiências pelas quais passamos.

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Modificando genes e reduzindo vícios

Em estudo publicado em maio, na revista científica Science Advances, cientistas da University of Illinois Chicago buscaram aplicar a epigenética no tratamento de algumas condições, como o alcoolismo. Pesquisas já descobriram que o consumo contínuo de álcool na adolescência altera a química cerebral na amígdala, parte do órgão que controla respostas de medo e prazer.

Tanto em roedores quanto em humanos, a exposição à bebida no início da vida diminui a expressão do gene Arc na amígdala cerebral. Ele é um grande regulador da plasticidade, a habilidade do cérebro de se adaptar com base em experiência, e quando a expressão dele é diminuída, a predisposição à ansiedade e distúrbio no consumo de álcool aumentam na vida adulta.

Os pesquisadores, então, construíram uma versão modificada do gene Arc, injetando-a no cérebro de ratos adultos expostos ao álcool no equivalente à sua adolescência — o que deprime a expressão do gene nos adultos —, e essa adição trouxe a expressão de volta aos níveis normais: uma "reinicialização de fábrica" do cérebro.

Os roedores, então, passaram a consumir menos álcool e ficaram menos ansiosos, o que foi medido ao observar seu comportamento em labirintos: eles ficaram mais tempo parados nas partes abertas, sendo que quanto mais estressados os ratos, menos eles ficam nessas áreas. Como o comportamento em relação à bebida não voltou a crescer, acredita-se que a edição tenha um efeito duradouro.

Funciona em humanos?

Os cientistas acreditam que sim, o tratamento pode ser adaptado para humanos: mas há problemas envolvendo a questão. Para começar, entre um rato injetado com um gene modificado para parar de beber e um ser humano com problemas no consumo de álcool que talvez possa ser elegível para o tratamento, o salto é grande. É mais provável que reincidentes com recaídas numerosas utilizem o tratamento primeiro, quando outras opções terapêuticas se esgotarem.

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Além disso, pode haver outras consequências ao mudar a expressão de determinados genes, especialmente quando eles estão ligados à plasticidade do cérebro. Não se sabe, ainda, quais outros comportamentos podem acabar sendo alterados com a edição do Arc. A bebida, também, pode afetar dezenas ou até centenas de genes ao longo do tempo, requerendo a edição de mais genes além do Arc: manipular tantos deles pode ser problemático.

Outra preocupação, ainda, é a duração da edição, já que mudanças epigenéticas naturais podem ser tanto temporárias quanto permanentes. De qualquer forma, a equipe continuará a testar o tratamento em outras doenças, como câncer, tratando os resultados nos roedores mais como uma prova de que tal edição é possível, e sem simplesmente eliminar genes.

Fonte: Science Advances