Em meio à pandemia, casos de doenças respiratórias comuns despencam no Brasil

Por Fidel Forato | 09 de Outubro de 2020 às 14h40
Lucrezia Carnelos/Unsplash

Para combater a COVID-19, os brasileiros adotaram o distanciamento social, melhores hábitos de higiene e o uso de máscaras desde o final de março. Agora, é possível afirmar que essas medidas de proteção contra o coronavírus SARS-CoV-2 também auxiliaram na redução do número de outras doenças respiratórias, segundo análises do Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Por exemplo, ocorreu uma queda acentuada no número de mortes em decorrência do vírus da influenza, responsável pela gripe comum e que pode desencadear casos de pneumonia. "Nunca vimos isso ocorrer desde que foi estabelecida a rede nacional de vigilância de influenza, em 1999. Todo ano a gripe mata em torno de 2 mil pessoas no país. Este ano isso certamente não vai acontecer", comenta Fernando do Couto Motta, vice-chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo do Fiocruz, para o jornal O Globo.

Além da COVID-19, uso de máscaras e distanciamento ajudaram na redução de outras infecções respiratórias (Imagem: Reprodução/ Engin Akyurt / Unsplash)

Entre outras doenças respiratórias que tiverem menos casos registrados este ano, estão: alguns coronavírus brandos, como HKU1, 229E, NL63, OC43; o vírus sincicial respiratório; a parainfluenza; o adenovírus; o rinovírus; e o metapneumovírus.

Uso de máscaras e distanciamento

Segundo o levantamento realizado pelo InfoGripe/Fiocruz, até setembro, o vírus da COVID-19 foi a causa de cerca de 99,2% dos óbitos e 97,4% dos casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no país. Em números totais, foram mais de 148 mil mortes pelo novo coronavírus desde o início da epidemia, segundo o Conass.

Por outro lado, a influenza levava ao óbito cerca de 6 mil pessoas anualmente no país, isso até 2019. Neste ano, foram apenas 1.672 mortes pela infecção, somando as influenzas A e B. Entre os dias 20 e 26 de setembro, por exemplo, não foram registrados casos de SRAG provocados por qualquer um dos vírus influenza, de acordo com o boletim do InfoGripe.

"Praticamente, não temos encontrado os demais vírus em casos de SRAG, mesmo os [vírus da] influenza tiveram uma queda impressionante. Realmente, uma queda assombrosa e não natural. As medidas de distanciamento são eficazes e, aparentemente, surtiram efeito muito expressivo sobre os outros vírus", comenta o coordenador do InfoGripe/Fiocruz, Marcelo Gomes,

Quanto aos números de casos de resfriado e infecções respiratórias que acontecem por ano no país, não há números precisos, já que não precisam de cuidados médicos especiais. Entretanto, os especialistas, com base no que observam em casos graves (SRAG), é que houve também redução significativa nos casos leves e moderados.

"Esses vírus ainda circulam em pequena escala, mas são pouquíssimos casos. Isso é muito positivo porque vírus respiratórios causam as infecções mais comuns e, mesmo que não provoquem doença grave, levam à perda de qualidade de vida e de dias trabalhados", explica Motta.

Mais fatores de proteção

Mesmo que distanciamento social, máscaras e higiene tenham sido importantes para a redução dos casos de infecções respiratórias, outros fatores devem ser considerados. Por exemplo, um dos principais grupos de risco eram os idosos. Para se protegerem da COVID-19, as pessoas com mais de 60 anos investiram mais esforços para sua proteção e circularam menos, o que pode ter contribuído para a queda nos óbitos.

Outro ponto é que o SARS-CoV-2 se destacou em relação a outros vírus respiratórios no organismo humano. Mesmo que haja casos de coinfecção do vírus da COVID-19 e outros vírus na mesma pessoa, uma célula infectada dificilmente consegue produzir dois tipos de vírus simultaneamente. Nessa equação, o coronavírus deve ter obtido vantagens na reprodução. Com um resultado desses, a esperada dupla epidemia com a gripe não aconteceu.

Fonte: O Globo  

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