É hora de vacinar os adolescentes contra a COVID-19 no Brasil?

É hora de vacinar os adolescentes contra a COVID-19 no Brasil?

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 16 de Junho de 2021 às 15h10
Tirachard/Envato Elements

Segundo o Ministério da Saúde, 23,7 milhões de brasileiros receberam a imunização completa (2 doses) contra o coronavírus SARS-CoV-2 até o momento. Com quantidade limitada de doses de vacinas contra a COVID-19, as autoridades de saúde ainda precisam definir prioridades, como as pessoas com maior risco de evoluíram para casos graves da doença. No entanto, a questão deixa de ser consenso e a cidade de Betim, em Minas Gerais, começa a imunizar adolescentes de 12 a 14 anos, sem respeitar as orientações do Plano Nacional de Imunização (PNI).    

Nesta quarta-feira (16), a cidade de Betim iniciou a vacinação contra a COVID-19 de jovens entre 12 e 14 anos. A ideia é, primeiro, imunizar alunos do sétimo, oitavo e nono anos do ensino fundamental para garantir a retomada das aulas presenciais. Por outro lado, a cidade ainda vacina a população de 59 anos sem comorbidade e de 40 a 49 anos com comorbidade. Isso significa que outras faixas etárias ainda não foram imunizadas.

Especialistas defendem a importância de vacinar primeiro os adultos contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ABBPhoto/Envato)

Doses limitadas de vacinas

Nas últimas semanas, estados e municípios brasileiros anunciaram planos de ampliar a imunização contra o coronavírus para a população em geral, ou seja, aquelas pessoas que não integram os grupos prioritários (idosos e pessoas com comorbidades). Nesses casos, a ideia é começar pelas pessoas com mais de 50 anos e, gradualmente, chegar no público com até 18 anos. A medida é necessária porque o número de doses das vacinas contra a COVID-19 é limitado e, dessa forma, não é possível proteger todos, como os mais jovens. 

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É verdade também que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou a aplicação de doses da vacina da Pfizer/BioNTech em adolescentes de 12 a 15 anos. Anteriormente, a licença de uso do imunizante já autorizava que quem tivesse 16 e 17 anos pudesse se beneficiar da fórmula. No entanto, isso não significa que este grupo deva ser imunizado hoje, apontam especialistas. 

Imunização deve alcançar 75% da população

Sobre a questão, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, defendeu: “É importante concluirmos a vacinação dos adultos, das pessoas com mais de 18 anos, para trazer o mais rapidamente possível esse cinturão de proteção”. Em outras palavras, o PNI deve ser respeitado para que a vacinação atinja o seu objetivo, que é reduzir a transmissão do coronavírus.

Além disso, Covas explicou que a imunização dos adultos é capaz de proteger contra a COVID-19 também crianças e adolescentes. “Quando você protege os adultos, essa proteção se estende também à população de crianças e adolescentes”, ressaltou Covas, durante evento de entrega de doses da CoronaVac na última sexta-feira (11). 

“Isso foi demonstrado de forma muito clara no nosso estudo em Serrana, o Projeto S, em que o número de casos e de manifestações clínicas caiu em todas as faixas etárias”, ressaltou Covas, a partir dos resultados práticos da vacinação na cidade do interior de São Paulo. No experimento científico, quando 75% da população adulta foi imunizada, o número de casos sintomáticos da COVID-19 caiu 80% e as internações foram reduzidas em cerca de 86%. 

Fonte: Com informações: Instituto Butantan, Folha de S. Paulo e G1  

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