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Doação de cocô | Estudo busca voluntários para conhecer a microbiota brasileira

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Novembro de 2022 às 10h50

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Twenty20photos/Envato Elements
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Mesmo que pareça um pouco nojento e até estranho, um grupo de pesquisadores brasileiros investiga a microbiota brasileira, a partir de amostras de cocô. Para isso, estão recrutando possíveis doadores de fezes na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Aqui, é importante destacar que o objetivo é realmente nobre: propor novos tratamentos para casos graves de infecção intestinal.

Também vale explicar que a microbiota (flora) intestinal é composta por uma gama diversa de microorganismos, incluindo bactérias, vírus e protozoários. A atividade deles é muito benéfica para o organismo, e é possível afirmar que a existência humana seria bastante diferente, caso este "ambiente" fosse completamente asséptico.

É neste contexto que o Instituto Alfa de Gastroenterologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais/Ebserh estuda o cocô dos brasileiros. Inclusive, o local é o primeiro do país a contar com um Centro de Transplante de Microbiota Fecal e preserva um biobanco de fezes, seguindo as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

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O que os cientistas já descobriram sobre as fezes dos brasileiros?

Recentemente, a equipe de pesquisadores da UFMG divulgou os resultados preliminares de um estudo feito em parceria com a empresa de biotecnologia norte-americana Rebiotix. A ideia da pesquisa era comparar amostras de fezes de pessoas que moram no Brasil com as de quem vive nos Estados Unidos, e entender quais poderiam ser mais benéficas em casos de transplante fecal.

No total, foram analisadas 49 amostras de cocô de brasileiros e 17 de norte-americanos. Segundo os autores do estudo, as fezes brasileiras podem ser usadas no tratamento da infecção pelo Clostridioides difficile, considerada um problema de saúde pública mundial.

Isso porque as amostras do Brasil contêm cerca de 30% a mais de firmicutes, um filo de bactérias que faz parte da microbiota intestinal e atua em sinergismo no organismo dos indivíduos.

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Dá para fazer doação de cocô?

Para quem ficou interessado e deseja contribuir com o avanço da ciência, o Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh está recrutando voluntários para doação de fezes. Os candidatos devem ter entre 18 e 50 anos. Antes de doar, é necessário passar por uma entrevista e por exames físico e laboratoriais. Para saber mais, entre em contato através do e-mail transplantedefezeshcufmg@gmail.com.

Como é feito o transplante de fezes?

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Embora o termo transplante de fezes seja polêmico, o procedimento é muito mais simples e traz inúmeros benefícios para quem precisa, como a melhora de casos graves e recorrentes de infecção no intestino.

Inicialmente, as amostras são preparadas e processadas pela equipe do centro médico. Em seguida, são armazenadas em um freezer à temperatura de -80 °C. Quando o transplante é necessário, o paciente recebe o substrato fecal através de uma infusão em uma colonoscopia convencional.

Para controlar casos de infecções causadas pela bactéria resistente Clostridium difficile, as autoridades de saúde do Reino Unido já recomendam, como política pública na área de saúde, este tipo de transplante como tratamento.

Fonte: UFMG