div.Tech: 4 startups do Brasil que usam tecnologia para gerar acessibilidade

Por Ares Saturno | 29 de Janeiro de 2018 às 19h02
Reprodução

A vida de pessoas com deficiências é dificultada por barreiras ao acesso a diversas ferramentas da vida cotidiana, como o trabalho, os estudos, espaços públicos, serviços e até mesmo a tecnologia. Entretanto, esta última também pode ser usada como ponte para aumentar a acessibilidade das pessoas com deficiências às tarefas cotidianas, ao aprendizado, à vida social e até mesmo ao trabalho e estudos.

Conheça quatro empresas brasileiríssimas que trabalham na área de tecnologia assistiva, encontrando soluções para diminuir a exclusão de pessoas com deficiências, garantindo-lhes mais autonomia e qualidade de vida.

Junto é mais fácil!

Formada em arquitetura e atuando na área de ergonomia e design de móveis, a mineira Érika Foureaux viveu um grande momento de ruptura e revolta ao perceber que sua filha, Sofia, uma criança com deficiência física nas perninhas, não tinha as suas necessidades atendidas de forma adequada pelos produtos que a própria mãe criava.

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Foi dessa revolta que nasceu o Instituto Noisinho da Silva, um projeto que reúne designers interessados em desenvolver mobiliário que atenda às pessoas com deficiências.

Sem distinções, confortável para todos

O principal produto da marca, a carteira escolar inclusiva, pode ser utilizado tanto por crianças que vivam com deficiências diversas quanto por crianças sem deficiência alguma, como visto na imagem acima.

Durante a implementação do projeto da carteira, foram observadas outras demandas por parte da população atendida, sobretudo a necessidade que os pais e cuidadores encontravam em adquirir mobiliário adequado às suas crianças com deficiência. Foi aí então que surgiu o projeto Oficina Ciranda, no qual os cuidadores aprendem a fabricar eles mesmos a Cadeira Ciranda, como visto na imagem abaixo:

Cuidadores recebem orientação para fabricar a cadeira Ciranda

Fala com a minha mão

Com a missão de encurtar a distância entre surdos e ouvintes, surgiu a Hand Talk, startup responsável pelo desenvolvimento do Hugo, um adorável intérprete virtual que traduz conteúdos em português para Libras instantaneamente.

Seja bem vindo ao Canaltech, Hugo!

O Hugo pode traduzir o português, tanto em diálogos em áudio quanto em texto (uma vez que muitas pessoas surdas encontram dificuldades na rápida compreensão do português escrito), e pode ser encontrado nos aplicativos gratuitos para Android e iOS. O app também permite que você compartilhe, em formato .gif, uma animação do Hugo dizendo em libras o texto digitado ou áudio traduzido.

Além dos aplicativos gratuitos, há também um plugin que pode ser instalado em sites da web para tornar todo o conteúdo daquele site traduzível pelo Hugo, como pode ser visto no vídeo abaixo:

 

Motorize-se

Para o pessoal da Livre, mobilidade significa autonomia e liberdade. “Nossa ideia é tirar o aspecto hospitalar de quem utiliza a cadeira de rodas e trazer mais alegria”, explica Júlio Oliveto, o engenheiro mecatrônico responsável pela startup.

A Livre oferece kits que transformam qualquer cadeira de rodas manual em um triciclo motorizado. Com motores de 350w a 1500w de potência, há opções de estilização e personalização para cadeiras de rodas para usar em ambientes urbanos e também para off-road e práticas desportivas.

É só acoplar o motor e sair acelerando por aí!

Fácil de instalar e desinstalar da cadeira de rodas manual, o kit permite mais liberdade e autonomia para passeios de até 40 km, com acabamento blindado e de alta duração. As velocidades do modelo de 350w chegam a 20 km/h, com indicativo do nível da bateria elétrica bivolt. Também vem com sistema de freios a disco, espelhos retrovisores, farol dianteiro e buzina — e pesa apenas 26kg.

Voz livre e liberdade de comunicação

Premiada pela ONU, a Livox é uma plataforma de comunicação alternativa, voltada para atender a um público que enfrenta severas dificuldades para estabelecer conversação de forma satisfatória, como as que se enquadram no espectro autista, as em recuperação de isquemias e acidentes vasculares cerebrais, as portadoras de Esclerose Lateral Amiotrófica (sim, aquela do desafio do balde de gelo), paralisias cerebrais, entre outras.

Segundo a Livox, a comunicação é a base do relacionamento humano. E, utilizando IA e machine learning, o aplicativo obteve grande sucesso em encurtar as distâncias entre as pessoas com dificuldade de comunicação e seus cuidadores, educadores, familiares e amigos. O vídeo abaixo explica o funcionamento do aplicativo:

A plataforma possui um algoritmo inteligente, batizado de IntelliTouch, que corrige o toque imperfeito, característica comum em pessoas que utilizam o app. Aliás, para clínicas de reabilitação ou escolas com muitas crianças que utilizem o aplicativo, é possível criar perfis separados para cada paciente ou aluno, de forma a garantir o funcionamento perfeito e personalizado das engenharias de machine learning adequadas a cada caso.

A possibilidade de personalizar as imagens do app com fotos de família ou um personagem de desenho que o usuário goste também é um diferencial. Além de tudo isso, é um aplicativo que pode ser facilmente adaptado por familiares e educadores para auxiliar na compreensão da leitura, escrita e processos matemáticos básicos.

Foram vendidas 5.000 licenças do Livox para a Prefeitura de Recife, que o adotou em suas escolas municipais, com grande sucesso e gerando relatos de pais e professores sobre a eficácia da ferramenta no processo de aquisição de fala. Agora, uma parceria com a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de São Paulo oferece descontos de até 70% nas licenças da plataforma, que também está disponível, além do português, em inglês, espanhol, alemão e árabe.

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