Descoberta variação do coronavírus que pode ser ainda mais contagiosa

Por Nathan Vieira | 07 de Maio de 2020 às 16h10
Reprodução

Com estudos cada vez mais voltados ao coronavírus, os cientistas têm descoberto mais e mais informações que possam ser úteis nessa batalha contra a doença que preocupa toda a população mundial. Na última quinta-feira (30), foi publicado um estudo realizado pelo Laboratório Nacional Los Alamos, e acontece que os cientistas identificaram uma nova cepa do coronavírus que se tornou dominante em todo o mundo e parece ser mais contagiosa do que as versões que se espalharam nos primeiros dias da pandemia.

A cepa pode ser definida como uma variação do vírus, mas normalmente é bem pequena, o que faz ele continuar sendo o mesmo vírus. No entanto, às vezes isso altera, por exemplo, sua capacidade de transmissão. No caso dessa nova cepa, ela apareceu em fevereiro na Europa, migrou rapidamente para a costa leste dos Estados Unidos e tem sido a cepa dominante em todo o mundo desde meados de março. O relatório alertou que, além de se espalhar mais rapidamente, pode tornar as pessoas vulneráveis ​​a uma segunda infecção após um primeiro ataque com a doença.

O relatório aponta que se a pandemia não diminuir, o vírus poderá sofrer mais mutações

Em muitos lugares em que a nova cepa apareceu, ela rapidamente infectou muito mais pessoas do que as cepas anteriores que saíram de Wuhan, na China, e em poucas semanas foi a única cepa prevalecente em alguns países, segundo o relatório. O domínio da nova cepa sobre seus antecessores sugere que ela é mais infecciosa, embora a razão ainda não seja conhecida.

A equipe de Los Alamos, assistida por cientistas da Universidade de Duke e da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, identificou 14 mutações. Essas mutações ocorreram entre os quase 30.000 pares de bases de RNA que compõem o genoma do coronavírus. Os autores do relatório se concentraram em uma mutação chamada D614G, responsável pela alteração na "coroa proteica" do vírus.

O relatório aponta que se a pandemia não diminuir, o vírus poderá sofrer mais mutações, mesmo que as organizações de pesquisa preparem os primeiros tratamentos médicos e vacinas. Sem assumir o risco agora, a eficácia das vacinas pode ser limitada. "O D614G está aumentando em frequência a uma taxa alarmante, indicando uma vantagem de aptidão em relação à tensão original de Wuhan, que permite uma propagação mais rápida", diz o estudo.

Mesmo que a nova cepa não seja mais perigosa que as outras, ainda pode complicar os esforços para controlar a pandemia

Nos Estados Unidos, os médicos começaram a questionar de forma independente se novas cepas do vírus poderiam explicar as diferenças em como ele infectou, adoeceu e matou pessoas — especialistas especularam nas últimas semanas que estavam vendo pelo menos duas cepas do vírus nos EUA.

O estudo de Los Alamos não indica que a nova versão do vírus seja mais letal que a original, mas mesmo que a nova cepa não seja mais perigosa que as outras, ainda assim poderá complicar os esforços para controlar a pandemia. Isso seria um problema se a mutação tornasse o vírus tão diferente das cepas anteriores que as pessoas que têm imunidade a eles não seriam imunes à nova versão. Sendo assim, resta aguardar por mais pesquisas para que, assim, tenhamos respostas mais claras em torno dessas variações do coronavírus.

Fonte: Los Angeles Times

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