Crise dos Vapes | Reino Unido defende uso seguro e não cria estado de alerta

Por Fidel Forato | 01 de Outubro de 2019 às 18h00

Em meio a crise de saúde pública dos Estados Unidos com pelo menos 12 mortes em decorrência do uso de cigarros eletrônicos, autoridades britânicas defendem que o problema dos e-cigs está no conteúdo dos cartuchos e não na forma de consumo.  

A agência do Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido, Public Health England (PHE) afirma que a maioria dos problemas de saúde nos Estados Unidos estava relacionada a usuários de e-cigs que utilizavam cartuchos ilícitos, como os que contêm THC, princípio psicoativo da maconha. 

Com as normas de segurança mais rígidas do Reino Unido, a PHE recomenda que o uso dos vapes usando juices legalizados é mais seguro do que o hábito de fumar cigarros tradicionais. No país, são quase 100.000 mortes relacionadas ao tabagismo todos os anos. 

Em números, existiam cerca de 7,2 milhões de fumantes adultos no Reino Unido, em 2018, contra os estimados 3,6 milhões de usuários de vapes, segundo os dados oficiais. Diante desse cenário, o professor John Newton, diretor da PHE, defende o uso dos e-cigs como alternativa para aqueles que querem parar de fumar. 

No entanto, Stanton Gantz, diretor do Centro para Controle de Tabaco e Educação da Universidade da Califórnia, em São Francisco, julga errado considerar como “um fenômeno americano” os problemas com doenças pulmonares ocasionados pelo uso de cigarros eletrônicos. Para o professor, os efeitos na área da saúde não desaparecem quando chegam às Ilhas Britânicas.  

Dados sobre a Saúde britânica 

Nos últimos cinco anos, o uso dos cigarros eletrônicos está associado a cerca de 200 problemas de saúde, incluindo pneumonia e doenças cardíacas no Reino Unido, de acordo com um órgão de fiscalização do governo britânico. 

As complicações estão listadas em 74 relatórios do Yellow Card, sistema criado pela Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) para monitorar a segurança de produtos de saúde e questões que envolvem e-cigs. E, de acordo com uma análise dos dados vistos pelo jornal The Sunday Times, 49 das queixas foram classificadas como graves. 

O MHRA está revisando as informações coletadas pelo Yellow Card e enfatizou que os relatórios de reações adversas não significam que foram, exclusivamente, causadas pelo uso de cigarros eletrônicos. A agência avalia todos os relatórios recebidos em associação com cigarros eletrônicos contendo nicotina e, caso sejam identificadas possíveis preocupações de segurança, afirma que as medidas necessárias serão tomadas para proteger a saúde pública.

Fonte: Independent

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