COVID-19 | Vacina da Johnson é segura e eficaz contra casos graves

Por Nathan Vieira | 24 de Fevereiro de 2021 às 15h23
Alena Shekhovtcova/Pexels

Já estamos em uma nova etapa da corrida pelas vacinas, com vários dos imunizantes contra a COVID-19 sendo aplicados na população. No entanto, enquanto algumas das empresas já estão além da linha de chegada, a gigante farmacêutica Johnson & Johnson avança a passos sutis no desenvolvimento de sua vacina. Nesta quarta (24), a Food and Drug Administration, agência norte-americana que regula os medicamentos anunciou que a vacina em questão é segura, eficaz e evitou completamente as hospitalizações e mortes.

A vacina da Johnson & Johnson foi 85% eficaz na prevenção de doenças graves, e ofereceu 66% de proteção geral quando casos moderados foram incluídos. A revisão constatou que a eficácia da vacina contra COVID-19 grave foi igualmente alta nos Estados Unidos, África do Sul e Brasil.

Enquanto isso, a taxa de eficácia da vacina foi menor (42%) na prevenção de doenças moderadas a graves em idosos com mais de 60 anos que também apresentavam fatores de risco médicos. Mas os reguladores notaram que não houve mortes ou casos que exigissem intervenção médica um mês depois que os idosos receberam as vacinas. No geral, houve sete mortes no ensaio, todas no grupo que recebeu um placebo.

Vacina da gigante farmacêutica Johnson & Johnson passa por revisão realizada pela agência norte-americana Food and Drug Administration  (Imagem: Jubjang/Rawpixel)

Do ponto de vista dos especialistas, a essa altura a eficácia mais baixa não é motivo de grande preocupação, mas justifica mais estudos, considerando que a eficácia mais baixa parece impulsionada por adultos mais velhos com diabetes, por exemplo, e seria importante verificar se suas respostas imunológicas à vacina são mais baixas. Ainda assim, a menor eficácia entre adultos mais velhos de alto risco pode ser um tópico de discussão quando o painel de especialistas independentes da FDA se reunir nesta sexta-feira (26) para decidir se a vacina é aprovada nos EUA.

Os resultados da Johnson & Johnson destacam o desafio que as variantes representam para todas as vacinas. Também houve evidências preliminares de que a vacina pode proteger contra infecções assintomáticas, uma questão-chave sobre vacinas durante a pandemia. Exames de sangue de 2.650 participantes revelaram que, dois meses após a vacinação, 37 pessoas no grupo do placebo tinham marcadores no sangue de que haviam sido infectadas, apesar de não apresentarem sintomas, em comparação com apenas dez pessoas no grupo vacinado, o que sugere a vacina é 74% eficaz na prevenção desses casos assintomáticos.

A FDA, que na segunda-feira emitiu novas orientações aos fabricantes sobre como lidar com as variantes, planeja informar o comitê sobre a importância de se preparar para possíveis atualizações de vacinas. Para agilizar o processo de obtenção de autorização para vacinas modificadas, as empresas serão capazes de apresentar estudos menores testando as respostas imunológicas nos corpos das pessoas, em vez de grandes ensaios. Com isso, vários fabricantes, incluindo a Johnson & Johnson, estão estudando possíveis modificações em suas vacinas para conter variantes como as detectadas pela primeira vez no Reino Unido e na África do Sul.

A vacina da Johnson & Johnson é segura?

Food and Drug Administration aponta a vacina da Johnson & Johnson como segura durante revisão; especialistas se reunem na sexta para definir futuro (Imagem: Thirdman/Pexels)

Segundo a revisão feita pela FDA, a vacina parece ter atendido aos critérios de segurança e eficácia definidos pela agência (eficácia de pelo menos 50% e dados de segurança de acompanhamento de dois meses). O órgão descreveu a vacina como tendo um “perfil de segurança favorável”, com os efeitos colaterais mais comuns incluindo dor no local da injeção, dor de cabeça e fadiga. Apenas um paciente teve um “evento sério de reação de hipersensibilidade", uma reação alérgica dois dias após a vacinação.

Se uma autorização de uso de emergência for concedida, cerca de 2 milhões de doses estarão disponíveis para envio a partir da próxima semana para os EUA, mas o fornecimento aumentará para 20 milhões de doses até o final de março. Quanto ao Brasil, nada foi comprado por enquanto.

Fonte: The Washington Post

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