COVID-19 | Vacina da estatal chinesa Sinopharm revela bons resultados iniciais

Por Fidel Forato | 16 de Outubro de 2020 às 21h20
Cottonbro/Pexels

Além da CoronaVac, pesquisadores e institutos chineses trabalham em outras potenciais vacinas contra a COVID-19. É o caso do imunizante em desenvolvimento pela farmacêutica estatal Sinopharm e pelo Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Na quinta-feira (15), a vacina da Sinopharm contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) publicou resultados promissores dos estudos clínicos iniciais — refente às fases 1 e 2 — na revista científica The Lancet Infectious Diseases.

Segundo a publicação, a vacina contra a COVID-19 — conhecida oficialmente como BBIBP-CorV — conseguiu desencadear a produção de anticorpos neutralizantes contra o coronavírus de forma satisfatória. Os resultados também foram obtidos em pessoas com mais de 60 anos, o grupo com maior risco de morte em decorrência da doença.

Entretanto, a resposta imunológica contra o coronavírus levou mais tempo para ser detectada nos pacientes mais velhos do que naqueles de idades entre 18 e 59 anos. De acordo com os pesquisadores, o atraso médio foi de cerca de 14 dias. Além disso, os níveis de anticorpos encontrados no grupo com mais de 60 anos foi inferior que o verificado nos mais jovens.

Vacina contra a COVID-19 desenvolvida por estatal chinesa apresenta bons resultados em fases iniciais (Imagem: Reprodução/ Gustavo Fring / Pexels)

Testes de fase 1 e 2 com vacina da Sinopharm

Para o estudo clínico randomizado, participaram mais de 600 pessoas saudáveis e com mais de 18 anos. A ideia dessas duas etapas foi verificar a segurança da vacina e as doses necessárias para gerar uma resposta imunológica suficiente no organismo humano. Para analisar essa resposta, o estudo  também contou com um grupo de controle, ou seja, alguns participantes receberam apenas um placebo (substância sem efeito) no lugar da vacina.

A melhor resposta imunológica da fórmula foi alcançada com a aplicação de duas doses da vacina com um intervalo de 21 ou 28 dias. Numa média geral, os participantes levaram 28 dias para desenvolver anticorpos neutralizantes para o vírus da COVID-19. Em até 42 dias da primeira dose da vacinação, todos os participantes analisados apresentaram algum nível de resposta imunológica contra o coronavírus.

Os testes também demonstraram que a vacina é segura, sendo que as reações mais comuns foram dor no local da aplicação e febre. Agora, na fase 3, já em desenvolvimento em alguns locais do mundo, será possível afirmar se a vacina protege efetivamente contra infecções da COVID-19.

Vacina com aprovação de uso emergencial

Quanto a terceira e última fase de estudos clínicos, a etapa 3 acontece de forma paralela, desde julho, nos Emirados Árabes Unidos. Em agosto, o Peru e o Marracos começaram os testes com o imunizante desenvolvido pela estatal Sinopharm. Agora, uma outra pesquisa estudo deve ser realizada na Argentina. Por enquanto, não há nenhum pedido de autorização para pesquisa do imunizante no Brasil, segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Segundo o jornal The New York Times, desde o dia 14 de setembro, os Emirados Árabes Unidos deram aprovação de emergência para vacina de Sinopharm, voltada exclusivamente para o uso em profissionais de saúde. Esta solução utiliza o coronavírus inativado (morto), dentro de sua fórmula, para desencadear sua resposta imunológica. 

Para acessar os resultados de fase 1 e 2 da vacina, publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, clique aqui.

Fonte: Folha de S. Paulo e The New York Times  

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