COVID-19 | Panela elétrica pode ajudar na higienização de máscaras, diz estudo

Por Fidel Forato | 08 de Agosto de 2020 às 13h05
Reprodução/ Chamteut Oh

Na pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), uma das principais formas de proteção é o uso de máscaras de proteção descartáveis, como as N95, indicadas para profissionais da saúde. Só que esses respiradores têm um tempo de vida útil, relativamente, curto de proteção contra o vírus da COVID-19. Agora, pesquisadores norte-americanos descobriram uma forma simples para a higienização das N95 com o uso de panelas elétricas, mais especificamente os multicookers. 

Em estudo desenvolvido pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, a equipe de pesquisadores descobriu que 50 minutos de calor seco em uma panela elétrica, como uma panela elétrica de arroz ou multicooker, podem descontaminar máscaras N95 tanto por dentro quanto por fora, mantendo a capacidade de filtragem e os ajustes do equipamento.

Máscaras podem ser higienizadas através do calor seco em panleas elétricas  (Foto: Reprodução/ Chamteut Oh)

Essa é mais uma forma que os profissionais de saúde podem contar para a reutilização, quando permitida, de um produto que, originalmente, era de uso único. É o que explicam os professores de engenharia civil e ambiental, Thanh Helen Nguyen e Vishal Verma, em artigo publicado na revista Environmental Science and Technology Letters.

Entenda como funciona

As máscaras N95 são consideradas o padrão-ouro dos equipamentos de proteção individual (EPIs). Isso porque protegem o usuário contra gotículas e partículas presentes no ar, potencialmente, contaminadas com o coronavírus. "Uma máscara de pano ou máscara cirúrgica protege outras pessoas das gotas que o usuário possa expelir, mas um respirador [N95] protege o usuário, filtrando as partículas menores que podem transmitir o vírus", explica a professora Nguyen.

No entanto, a alta demanda desses EPIs durante a pandemia causou desabastecimento e falta das máscaras em estoques do mundo inteiro, o que afetou principalmente os profissionais da saúde que têm maiores chances de contraírem o vírus. Foi isso que levou a essa busca por abordagens e técnicas mais criativas de higienização. "Existem muitas maneiras de esterilizar algo, mas a maioria delas destrói a filtragem ou o encaixe de um respirador N95", comenta o professor Verma. 

"Qualquer método sanitarizante precisaria descontaminar todas as superfícies do respirador, mas, igualmente importante, é manter a eficácia da filtragem e o ajuste do respirador na face do usuário. Caso contrário, ele não oferecerá a proteção certa", completa Verma. Assim, a dupla levantou a hipótese de que o calor seco poderia ser um método eficaz, sem exigir preparação especial ou deixar qualquer resíduo químico. 

Em estudo, pesquisadores ensinam como descontaminar máscaras contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ACS Publications)

Além disso, os professores buscaram por um método que fosse mais acessível e, a partir disso, chegaram a essas panelas elétricas, como os multicookers. Segundo a pesquisa, o método de descontaminação por 50 minutos em 100 °C pode eliminar quatro tipos diferentes de vírus, incluindo o novo coronavírus. Inclusive, é um método tão eficiente quanto a luz ultravioleta.

"Construímos uma câmara no meu laboratório de testes de aerossóis, especificamente, para examinar a filtração dos respiradores N95 e medir as partículas que passam por ele", afirma Verma. "Os respiradores mantiveram sua capacidade de filtragem de mais de 95% e mantiveram o ajuste, ainda bem encaixados no rosto do usuário, mesmo após 20 ciclos de descontaminação na panela elétrica", completa, sobre a eficácia da técnica.

Quanto ao processo, os pesquisadores observaram que o calor deve ser seco (o que significa que o processo deve ser feito sem água) na temperatura de 100 °C, com uma toalha cobrindo o fundo da panela para evitar o contato direto do respirador com a superfície aquecida. Inclusive, máscaras podem ser empilhadas para higienização dentro da mesma panela e ao mesmo tempo.

Segundo a dupla, esse método pode ser útil para profissionais de saúde e socorristas, especialmente aqueles em clínicas ou hospitais menores que não têm acesso a equipamentos de desinfecção térmica em larga escala. Além disso, pessoas que tenham esses equipamentos em casa podem se beneficiar da descoberta.

A seguir, confira o vídeo, em inglês, em que os pesquisadores detalham essa técnica de higienização:

Fonte: EurekaAlert!  

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