COVID-19 | Médico cria capacete de oxigenação para substituir o uso de máscaras

Por Natalie Rosa | 30 de Julho de 2020 às 15h45
Reprodução: UEM

Junto à pandemia do novo coronavírus, o mundo inteiro começou a se preocupar com a falta de leitos hospitalares e, consequentemente, com a necessidade de obter novos respiradores, uma vez que a doença pode afetar o pulmão de forma grave. Pensando nesse obstáculo, pesquisadores e cientistas do mundo todo estão investindo em diferentes formas de resolver esse problema, como é o caso do médico e professor Edson Arpini Miguel, da Universidade Estadual de Maringá, no Paraná.

Edson está desenvolvendo, junto à sua equipe, um capacete de oxigenação que pode ser a substituição das máscaras de oxigenação. O professor explicou ao Canaltech que o capacete foi criado para ser usado de uma forma não-invasiva, ou seja, sem que o paciente precise estar entubado. Essas internações, classificadas como de média gravidade, necessitam de máscaras para ajudar na respiração, que são bastante semelhantes àquelas de inalação, como explica Miguel.

Reprodução: UEM

"Porém, ela é acoplada e presa ao rosto, com o aparelho gerando um fluxo, uma compressão contra a face do paciente. Para alguns pacientes, de forma intermitente, isso pode ser viável, mas, infelizmente, quando precisa ser usado de maneira contínua, pode gerar um desconforto muito grande e isso tem sido um (fator) limitador", conta o pesquisador.

O objetivo dos médicos, agora, é que esse procedimento continue sendo usado em todo o mundo, sempre com o aperfeiçoamento necessário para uma utilização a cada vez mais segura nos pacientes, mesmo que, até o momento, as utilizações tenham sido bastante positivas.

Ventilador mecânico

A Universidade Estadual de Maringá também está desenvolvendo um ventilador mecânico, que ainda é um protótipo, que futuramente deve ser utilizado em pacientes graves de COVID-19. "A importância do projeto é fortalecer o uso da tecnologia em nossa universidade e, principalmente, criar um vínculo de interdisciplinaridade, que vem acontecendo neste momento através da área biológica como um todo e do atendimento aos pacientes, junto à tecnológica, ao lado dos professores do curso de física", conta Miguel ao Canaltech.

O professor explica também que deter desta tecnologia pode ajudar em casos futuros, não só para o tratamento da COVID-19, para que um próximo problema seja resolvido de maneira mais rápida e que mais vidas sejam salvas. Isso pode acontecer dentro da própria Universidade de Maringá ou como uma oferta da linha de montagem ao mercado em geral.

Reprodução: UEM

O desenvolvimento de novos projetos de ventiladores mecânicos também vem trazendo resultados positivos no Brasil, como aconteceu na USP. Batizado de ventilador pulmonar emergencial Inspire, o protótipo foi testado e aprovado tanto em animais quanto em humanos, e pode ser produzido em até duas horas. Até mesmo o valor do projeto é bem abaixo dos ventiladores tradicionais, que custam cerca de R$ 15 mil. O Inspire custa apenas R$ 1 mil.

Os respiradores de UTI têm como função fornecer e retirar o oxigênio do pulmão do paciente, removendo todo o dióxido de carbono (CO2), processo que deve acontecer naturalmente. Porém, pacientes que estão em coma induzidos com sedação total precisam deste auxílio na respiração para continuarem vivos.

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