COVID-19 | Doria anuncia que taxa de eficiência da CoronaVac em idosos é de 98%

Por Nathan Vieira | 10 de Setembro de 2020 às 18h20
Lucrezia Carnelos/Unsplash

Se a COVID-19 em si já é um grande mistério para a área da medicina, a relação entre a doença e os idosos é um enigma maior ainda. Com a pandemia em ascensão, muitas instituições buscam uma candidata à vacina contra a doença. Mas e os idosos, como ficam? Na última quarta (9), o governador de São Paulo, João Doria, anunciou que a vacina chinesa CoronaVac, que está sendo produzida com apoio do Instituto Butantan, tem apresentado 98% de eficácia em idosos. Na última segunda (7), o laboratório chinês Sinovac Biotech já disse que sua vacina parece ser segura em pessoas mais velhas, mas as respostas imunológicas induzidas foram moderadamente mais fracas do que em jovens.

“Os testes demonstram que a vacina CoronaVac é segura e tem taxa de eficiência de 98% na imunização de idosos. Estudos da segunda fase de testagem demonstram que pessoas com mais de 60 anos, que representam um dos grupos de risco receberam mais de uma dose da vacina e a resposta imune chegou a 98%”, declara o governador. 

A vacina chinesa ainda está em fase de testes. Aqui no Brasil, 9 mil voluntários da área da Saúde participam da testagem com a CoronaVac, que está na fase 3. Doria ressalta que os resultados dos testes realizados no Brasil têm sido positivos. “Desde o dia 21 de julho [quando os testes da vacina foram iniciados no Brasil], há quase 50 dias, não temos nenhum incidente, nenhum registro de reação adversa significativa nestes quase 9 mil voluntários. Os prognósticos são promissores. E em breve teremos a vacina para imunizar os brasileiros de todo o país", aponta.

Brasil está participando de testes de várias candidatas à vacina contra a COVID-19 (Imagem: Retha Ferguson/Pexels)

Segundo o governador, até o final de setembro, todos os 9 mil voluntários serão vacinados. Com isso, a partir de 15 de outubro, poderemos ter a análise da eficácia. Até o momento, 4 mil voluntários já receberam a primeira dose da vacina. Caso os resultados sejam positivos, ja partir de dezembro deste ano, 46 milhões de doses estarão disponíveis para o Ministério da Saúde para vacinação, mas cada pessoa precisará tomar duas doses (inclusive, já falamos aqui no Canaltech sobre a importância do compromisso com a vacina e dos perigos do abandono entre as doses).

De acordo com Dimas Covas, o Instituto Butantan poderia produzir, até maio do ano que vem, 100 milhões de doses da CoronaVac, dependendo apenas do apoio financeiro do Ministério da Saúde. Sobre a suspensão dos testes de eficácia da vacina de Oxford após um dos voluntários apresentar uma reação adversa séria, Dimas comenta: "Quando aparece notícia de um estudo clínico interrompido, isso é comum. Não significa que a vacina não é boa. O efeito adverso precisa ser estudado. Tem que ver se foi a vacina que provocou o efeito adverso".

A vacina do Butantan utiliza vírus inativados, que são cultivados em laboratórios e quebrados quimicamente. Neste caso, pedaços de vírus são colocados nas vacinas e introduzidos nas pessoas, estimulando o sistema imunológico a produzir os anticorpos. Enquanto isso, a produção da vacina de Oxford é baseada em novas tecnologias, que se utilizam de materiais genéticos, proteínas sintéticas ou vetores virais.

Vacina em idosos

Taxa de eficiência da CoronaVac em idosos é de 98% (Imagem: Pixabay)

A vacina candidata CoronaVac da Sinovac não provocou efeitos colaterais graves nos ensaios combinados de Fase 1 e Fase 2 lançados em maio, que envolveram 421 participantes com pelo menos 60 anos, disse o representante da mídia da Sinovac, Liu Peicheng. Os resultados completos ainda não foram publicados. Na avaliação preliminar da Sinovac, foram considerados idosos os pacientes com mais de 60 anos.

Outras vacinas sendo testadas no Brasil também estão tentando cobrir a população idosa em seus testes para garantir que a eficácia seja avaliada dentro do grupo com o maior percentual de risco de complicações da Covid-19. A vacina produzida pela AtraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford incluiu inicialmente pacientes de 18 a 55 anos de idade em seu teste clínico, depois estendeu o recrutamento sem limite máximo de idade. A vacina russa do Instituto Gamaleya, que deve ser testada em um grupo do Paraná, também promete recrutar pacientes idosos.

Fonte: Agência Brasil, O Globo

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