COVID-19 | AstraZeneca impõe restrições sobre a venda da futura vacina no Brasil

Por Nathan Vieira | 08 de Outubro de 2020 às 15h47
CDC/Unsplash

Não é segredo que inúmeras empresas do mundo inteiro estão dando tudo de si para produzir uma vacina contra a COVID-19, e o Brasil já está definindo suas parcerias. Na última quarta-feira (7), o site do jornal Financial Times revelou detalhes em torno do acordo do governo brasileiro com a empresa britânica AstraZeneca, (que está desenvolvendo uma vacina candidata com a Universidade de Oxford), com direito a restrições estabelecidas acerca da venda dessa vacina no país.

As condições envolveram manter a patente sobre o produto, o abastecimento de 100 milhões de doses da vacina, com custo de US$ 300 milhões (o equivalente a R$ 1,6 bilhões), e caso a vacina britânica não apresente resultado, não há reembolso do pagamento. Além disso, a produção da vacina pela Fiocruz será somente distribuída ao mercado brasileiro, restringindo que o Brasil exporte a outros países. A  AstraZeneca também manterá toda propriedade intelectual da vacina, com possibilidade de novo acordo quanto à cobrança de royalties.

O diretor-executivo do grupo farmacêutico AstraZeneca, Jorge Mazzei, anunciou que não terá lucro com a distribuição de vacinas contra a COVID-19. A empresa farmacêutica disse que forneceria doses com base no custo pelo menos enquanto durar a pandemia. No entanto, o memorando define o fim desse período de pandemia em 1 de julho de 2021.

O período poderia ser prorrogado, mas somente se AstraZeneca considerar que a pandemia de SARS-COV-2 não acabou. Pascal Soriot, presidente-executivo da AstraZeneca, declarou anteriormente que uma série de fatores influenciaria a avaliação da empresa de quando a pandemia acabasse, incluindo a própria análise da Organização Mundial da Saúde, mas não foi mais específico. Ele também se recusou a divulgar um ponto de preço pós-pandemia.

AstraZeneca impõe restrições sobre a venda da futura vacina no Brasil (Imagem: Cottonbro/Pexels)

O custo futuro de qualquer vacina aprovada é uma questão controversa depois que grupos farmacêuticos, incluindo a AstraZeneca, receberam centenas de milhões de dólares em dinheiro público para acelerar o desenvolvimento. “Desde o início, a abordagem da AstraZeneca tem sido tratar o desenvolvimento da vacina como uma resposta a uma emergência global de saúde pública, não uma oportunidade comercial”, disse a empresa em um comunicado. “Continuamos a operar com esse espírito público e buscaremos orientação especializada, inclusive de organizações globais, sobre quando podemos dizer que a pandemia já passou".

Fonte: Financial Times

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