Coronavírus: como pessoas com HIV devem se proteger na pandemia da COVID-19?

Coronavírus: como pessoas com HIV devem se proteger na pandemia da COVID-19?

Por Fidel Forato | 11 de Maio de 2020 às 13h35

Durante a pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), o programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) pontuou algo importante: é preciso que os esforços na prevenção do HIV precisem ser mantidos nos países, além disso, os serviços para tratamento dos portadores do vírus devem continuar operando. Isso porque, apesar do progresso global no controle do vírus sexualmente transmissível, com as novas infecções caindo 40% desde o pico de 1997, os ganhos obtidos correm o risco de serem revertidos devido ao possível congelamento de ações por conta da COVID-19. Nessa história, não há um vírus mais importante.

"As pessoas ainda estão fazendo sexo. As pessoas ainda estão usando drogas. Durante a pandemia da COVID-19, todos devem receber as ferramentas necessárias para permanecerem seguras e se protegerem do HIV. Os direitos humanos são a pedra angular da prevenção do HIV e devem ser a pedra angular da resposta à COVID-19”, defende a diretora-executiva do UNAIDS, Winnie Byanyima.

Pacientes com HIV devem ter os mesmos cuidados que a população em geral para se protegerem da COVID-19 (Foto: reprodução/ PA Media)

Recomendações contra a COVID-19

“Como é uma pandemia muito nova, ainda não há informações conclusivas sobre impactos diferenciados da COVID-19 em pessoas vivendo com HIV”, explica Cleiton Euzébio de Lima, diretor interino do UNAIDS no Brasil, para o site Metrópoles. Dessa forma, pacientes que convivem com HIV devem seguir as mesmas instruções repassadas pelas autoridades de saúde, como lavar as mãos, usar máscaras ao sair na rua, somente quando necessário, e respeitar o isolamento social.

Como para a população em geral, pessoas idosas com HIV ou ainda com problemas cardíacos e pulmonares podem estar em maior risco de serem infectadas pelo coronavírus e de apresentarem sintomas mais graves. Nesse sentido, é importante que as pessoas que vivem com HIV procurem seus médicos para garantir que tenham estoques adequados de medicamentos essenciais, como o coquetel, para o controle da infecção (e que se evite saídas desnecessárias).

Para o grupo, uma preocupação em especial é a disseminação de fake news entre os portadores. Diante dessa situação, Lima comenta: “Temos nos esforçado para traduzir materiais produzidos em outros idiomas, repercutir informações oficiais da OMS e mobilizar parceiros e influenciadores para que levem estas informações ao maior número possível de pessoas”.

Em questionário da Organização das Nações Unidas (ONU) para assuntos ligados ao HIV, cerca de 13% das pessoas (com HIV que responderam) disseram que não estão ficando em casa durante a pandemia. Desse número, 48,6% declararam que precisam trabalhar fora de casa e mais de um terço (34,7%) dos respondentes disseram que optaram por não revelar aos gestores que vivem com HIV por medo de sofrerem preconceito.

O que manter durante a quarentena?

Mesmo durante a pandemia da COVID-19, é preciso manter disponíveis formas de prevenção ao HIV, como distribuição de preservativos, lubrificantes, agulhas e seringas estéreis. Além dos remédios para profilaxia pós-exposição (PEP) e tratamento como prevenção (PrEP) que são tão válidos agora como sempre foram.

Além disso, como aponta o UNAIDS, é preciso encontrar formas seguras de distribuir quantidades de medicamentos para o tratamento do HIV, de forma preventiva, por um longo prazo, ou seja, aumentar o estoque do coquetel para os pacientes crônicos. Se por exemplo, eram dados X medicamentos por vez, a ideia é fornecer 2X. Isso caso os centros de distribuição sejam fechados ou bloqueados, por conta de aumento das restrições de deslocamentos.

Além de prejudicar os serviços de prevenção e tratamento do HIV, o UNAIDS está preocupado com a epidemia da COVID-19 ser um fator de aumento da vulnerabilidade. Afinal, o aumento do desemprego e menos oportunidades de trabalho podem ocasionar mais casos de exploração e violência sexual. Serviços de aconselhamento e testagem para HIV também são fundamentais para controlar novas infecções pelo vírus.

Novas práticas no combate

No atual cenário, o UNAIDS alerta para a introdução de novos meios para alcançar as pessoas, principalmente através da internet. Por exemplo, as reuniões físicas devem ser transferidas para o ambiente virtual, preservando o apoio psicológico tão fundamental para o grupo, e o uso de linhas telefônicas e serviços de SMS e WhatsApp podem ser implementados.

Outra possibilidade é aumentar o uso, nos sistemas públicos de saúde, do autoteste para HIV que é uma maneira mais segura de realizar o teste em tempos de isolamento social, já que reduz o contato com outras pessoas e evita sobrecarga dos poucos serviços em operação e médicos nas unidades de saúde durante a pandemia.

Fonte: ONU, UNAIDS e Metrópoles

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