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Coronavírus: chineses não conseguem sacar dinheiro ou pegar trem usando máscaras

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Agência Brasil
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Desde que se iniciou a epidemia do coronavírus, as autoridades chinesas passaram a obrigar todas as pessoas residentes nas duas províncias onde a doença está concentrada a usarem máscaras sempre que estiverem em um local público. Mas essa obrigação acabou criando novos problemas, principalmente frente ao avançado aparato de reconhecimento facial do país.

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Isso porque, para que um sistema de reconhecimento facial funcione, é preciso que o algoritmo  tenha acesso a uma imagem dos olhos, nariz e boca da pessoa para que se possa fazer o reconhecimento, o que impede esses sistemas de funcionarem quando alguém está "mascarado".

Ainda que, para alguns, isso possa ser visto como uma vitória irônica da privacidade — já que todo o sistema de reconhecimento facial do governo chinês se torna inútil por causa de uma obrigação do uso de máscaras expedida pelo próprio governo — a obrigação, na verdade, tem sido bem inconveniente e irritante para as pessoas que precisam viver suas vidas nas cidades chinesas.

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Isso porque o reconhecimento facial na China não é algo utilizado somente para desbloquear iPhones, mas uma ferramenta para se acessar praticamente qualquer serviço, desde sacar dinheiro no banco, abrir a porta do prédio da empresa ou até mesmo para ter acesso a papel higiênico em banheiros públicos. Assim, as pessoas estão a todo momento tendo que tirar a máscara para conseguir efetuar ações simples da vida, o que também atrapalha a própria ideia de proteção contra o vírus: afinal de contas, ter de tirar as máscaras toda hora abre portas para que o vírus se espalhe ainda mais.

O caso é um bom exemplo de como, às vezes, se concentrar em um único tipo de tecnologia para várias funcionalidades pode ser problemático. Ao adotar o reconhecimento facial como o único padrão para o acesso rápido a quase tudo, a China passa a praticamente “punir” sua população por hábitos de prevenção de doenças, criando um cenário onde ninguém sai ganhando, já que para a tecnologia funcionar, é preciso tirar a máscara, e ao tirar a máscara, a população deixa de se prevenir contra a doença que estão tentando se proteger. 

Fonte: Futurism