Coronavírus: chineses não conseguem sacar dinheiro ou pegar trem usando máscaras

Por Rafael Rodrigues da Silva | 06 de Fevereiro de 2020 às 18h50
Agência Brasil

Desde que se iniciou a epidemia do coronavírus, as autoridades chinesas passaram a obrigar todas as pessoas residentes nas duas províncias onde a doença está concentrada a usarem máscaras sempre que estiverem em um local público. Mas essa obrigação acabou criando novos problemas, principalmente frente ao avançado aparato de reconhecimento facial do país.

Isso porque, para que um sistema de reconhecimento facial funcione, é preciso que o algoritmo  tenha acesso a uma imagem dos olhos, nariz e boca da pessoa para que se possa fazer o reconhecimento, o que impede esses sistemas de funcionarem quando alguém está "mascarado".

Ainda que, para alguns, isso possa ser visto como uma vitória irônica da privacidade — já que todo o sistema de reconhecimento facial do governo chinês se torna inútil por causa de uma obrigação do uso de máscaras expedida pelo próprio governo — a obrigação, na verdade, tem sido bem inconveniente e irritante para as pessoas que precisam viver suas vidas nas cidades chinesas.

Isso porque o reconhecimento facial na China não é algo utilizado somente para desbloquear iPhones, mas uma ferramenta para se acessar praticamente qualquer serviço, desde sacar dinheiro no banco, abrir a porta do prédio da empresa ou até mesmo para ter acesso a papel higiênico em banheiros públicos. Assim, as pessoas estão a todo momento tendo que tirar a máscara para conseguir efetuar ações simples da vida, o que também atrapalha a própria ideia de proteção contra o vírus: afinal de contas, ter de tirar as máscaras toda hora abre portas para que o vírus se espalhe ainda mais.

O caso é um bom exemplo de como, às vezes, se concentrar em um único tipo de tecnologia para várias funcionalidades pode ser problemático. Ao adotar o reconhecimento facial como o único padrão para o acesso rápido a quase tudo, a China passa a praticamente “punir” sua população por hábitos de prevenção de doenças, criando um cenário onde ninguém sai ganhando, já que para a tecnologia funcionar, é preciso tirar a máscara, e ao tirar a máscara, a população deixa de se prevenir contra a doença que estão tentando se proteger. 

Fonte: Futurism

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