Coronavírus: brasileiros podem levar 4h para chegar a uma UTI

Por Fidel Forato | 22 de Maio de 2020 às 13h56
Reprodução/Daily Times

Em plena pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), você já se perguntou quanto tempo levaria para sair da sua casa até uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI)? Afinal, é nas UTIs que os casos mais graves da COVID-19 precisam ser atendidos. Pode não ser a sua realidade, no entanto, mais de 7,8 milhões de brasileiros estão a pelo menos quatro horas de distância de um município que ofereça atendimento de alta complexidade.

É essa uma das principais conclusões que os pesquisadores do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz) chegaram em nota técnica publicada na plataforma MonitoraCovid-19. A partir do estudo Regiões e Redes Covid-19: acesso aos serviços de saúde e fluxo de deslocamento de pacientes em busca de internação, é possível ver que a falta de acesso é pior nos estados de Amazonas (1,3 milhão de habitantes), Pará (2,3 milhões) e Mato Grosso (888 mil).

Pesquisa mostra que milhões de brasileiros levam mais de 4h para chegar até uma UTI (Imagem: Icict/Fiocruz)

Nas três unidades da federação, mais de 20% da população mora em áreas com até quatro horas de deslocamento para chegar ao município mais próximo que ofereça condições de atendimento em casos graves de COVID-19. Outras regiões preocupantes no tempo gasto no deslocamento até um município que ofereça atendimento especializado, como uma UTI, são o interior do Nordeste, o norte de Minas Gerais e o sul do Piauí e do Maranhão. 

Do outro lado, a pesquisa da Fiocruz aponta que as populações das regiões Sudeste e Sul, do litoral do Nordeste e de Goiás, conseguem chegar a um município polo, ou seja, que ofereça atendimento para casos graves da COVID-19, em menos de 4 horas. 

Como foi pensado?

Para chegar a essas conclusões, a equipe da Fiocruz cruzou as informações de hospitalização por problemas respiratórios, como a COVID-19, do banco de dados do Sivep-Gripe, do Ministério da Saúde, com os deslocamentos populacionais e as distâncias potencialmente percorridas pela população, considerando as Regiões de Influência das Cidades (IBGE, 2018) e as Regiões de Saúde (CIR) definidas pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

Nesse sentido, a publicação destaca a importância da organização da estrutura de saúde, principalmente do SUS, entre municípios, estados e União nas políticas de contenção da COVID-19. Afinal, a interiorização do novo coronavírus representará um desafio ainda maior para essas localidades.

Estados do Norte devem sofrer mais com a interiorização do novo coronavírus (Imagem: Icict/Fiocruz)

Em apenas uma semana (entre os dias 9 a 16 de maio) de análise, a cada dia, seis cidades (com população entre 20 mil e 50 mil habitantes) registravam pela primeira vez uma vítima fatal da COVID-19. Entre municípios menores, com população de 10 mil a 20 mil habitantes, na mesma semana cinco cidades a cada dia entravam na lista de municípios com óbitos causados pelo coronavírus.

“Um dos grandes problemas para a rede de saúde brasileira é a acessibilidade geográfica. O Brasil possui dimensões continentais e, por isso, algumas regiões mais remotas impõem à sua população o deslocamento de enormes distâncias para busca de atendimento (...). É evidente que nem todos os municípios do país devem ter um centro de tratamento intensivo, mas é necessário definir serviços de referência e contrarreferência no atendimento à saúde, evitando vazios de atendimento, bem como deslocamentos longos, que podem afetar o estado de saúde do indivíduo”, ressalta a nota técnica.

Fonte: Agência Fiocruz

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