CoronaVac | Governo de SP amplia testagem da vacina contra a COVID-19

Por Fidel Forato | 23 de Outubro de 2020 às 19h45
Cottonbro/Pexels

Para acelerar a terceira e última fase do estudo ainda em andamento da vacina CoronaVac, o Estado de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (23) a criação de seis novos centros de pesquisa para a testagem do imunizante contra a COVID-19. Com o objetivo de alcançar mais voluntários, a iniciativa auxilia na comprovação de segurança e eficácia da vacina em desenvolvimento pelo Instituto Butantan, em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

“A vacina, que é o tema do momento, é a proteção à vida e um direito de todos os brasileiros. No caso da pandemia, a vacina é o único caminho para a retomada total da economia, do ensino presencial, de eventos de grande público, do turismo e da volta à normalidade”, afirmou o governador João Doria sobre a importância da testagem, durante coletiva de imprensa.

Para acelerar conclusão de pesquisa de segurança e eficácia, SP amplia testes com a vacina CoronaVac contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Governo do Estado de São Paulo)

Por que ampliar a testagem da CoronaVac?

Os novos centros de testagem da CoronaVac serão supervisionados por pesquisadores do Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Quanto a distribuição deles, quatro serão instalados em hospitais da periferia da capital, onde a taxa de contaminação pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) tem se mostrado maior do que nos bairros centrais. Além desses, outros dois ficarão na região do ABC, que já conta com a Universidade Municipal de São Caetano do Sul como local de testagem.

Dessa forma, o governo busca ampliar o número de profissionais de saúde — isso porque o estudo clínico está limitado a esses profissionais — que participam dos testes com a CoronaVac. Até agora, 9.039 pessoas já aderiram como voluntários a essa pesquisa e estão divididos em sete estados. Com os novos centros, o foco é ampliar para 13 mil voluntários em 22 locais de pesquisa. Essa ampliação já conta com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Com a abertura desses centros, vamos ganhar velocidade para que essa demonstração da eficácia possa aparecer o mais rapidamente possível. Esperamos que isso aconteça em novembro ou meados de dezembro”, comentou Dimas Covas, o diretor do Instituto Butantan, durante a mesma coletiva.

De acordo com o governo, ainda é preciso que pelo menos 61 participantes que tenham recebido a vacina (e não o placebo) sejam contaminados pelo coronavírus. A partir desta amostragem, haverá a comparação com o total dos que receberam a vacina e, eventualmente, também tenham recebido um diagnóstico positivo para a COVID-19. Isso porque o estudo é duplo-cego, ou seja, uma parte dos voluntários recebe a CoronaVac e a outra toma um remédio placebo (sem efeito).

Vacina contra a COVID-19

Ao lado da vacina de Oxford, a CoronaVac é uma grande aposta nacional para combater a COVID-19 que já levou ao óbito mais de 155 mil brasileiros. Em sua fórmula, o imunizante é composto a partir de fragmentos do coronavírus inativados (quando o vírus está "morto") e a imunização completa é feita em duas doses, segundo as pesquisas preliminares.

Além de ser parceiro no desenvolvimento da vacina, o Butantan tem acordo para transferência de tecnologia e aquisição de 46 milhões de doses do imunizante para vacinação. Inclusive, na quinta-feira (22), o instituto apresentou o rótulo dessa potencial vacina contra a COVID-19. Se o imunizante atingir os índices necessários de eficácia e segurança nessa última etapa, os pesquisadores poderão enviar os dados obtidos para avaliação da Anvisa, o órgão responsável pela autorização de uso, e dar início as campanhas de vacinação contra o coronavírus.

Fonte: Agência Brasil e Governo de SP  

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