Computador do tamanho de um grão de poeira é nova aposta contra o câncer

Por Carlos Dias Ferreira | 03 de Agosto de 2018 às 19h10

Sem memória interna e com potência pelo menos um milhão de vezes inferior ao de um smartphone típico, é pouco provável que o Michigan Micro Mote se torne um substituto para a computação pessoal. Mas a criação da Universidade de Michigan pode servir a um motivo defensavelmente mais nobre: o de ajudar como ferramenta diagnóstica e de tratamento para vários tipos de câncer.

Isso porque ele traz uma vantagem que o seu telefone não tem: a de ser tão pequeno quanto uma partícula de poeira. Medindo 3 milímetros em um dos lados, o computadorzinho poderia ser facilmente alocado em tecidos humanos; por exemplo, para medir a temperatura interna de tumores com dimensões reduzidas – algo que mesmo os menores sensores termais atualmente em produção são incapazes de fazer.

“Há um grande interesse em compreender como o metabolismo dos tumores se modifica conforme eles são tratados”, explica o professor de engenharia elétrica e da computação David Blaauw, em entrevista ao site Michigan Live. De acordo com Blaauw, as características térmicas de um tumor devem se alterar conforme ele é tratado por meio da quimioterapia. “Isso poderia mesmo ajudar nos diagnósticos em algum momento futuro.” Afinal, para medir a temperatura em uma quantidade muito pequena de tecido seria necessário um sensor de tamanho muito reduzido.

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Bateria minúscula para um computador minúsculo

Ainda que o Michigan Micro Mote traga a vantagem de ser minúsculo e, ao menos em teoria, facilmente incorporável em sistema biológico, há ainda alguns desafios a serem vencidos antes que o protótipo da Universidade de Michigan possa efetivamente ser utilizado pela medicina. A começar pela questão da alimentação de energia.

Michigan Micro Mote em comparação com um grão de arroz. Atualmente movido por energia solar, o pequeno computador precisará de uma bateria de dimensões igualmente ínfimas. (Imagem: reprodução/Universidade de Michigan).

Afinal, essa primeira versão do computador é alimentada por energia solar – fonte obviamente inviável para qualquer utilização intracorporal. Um primeiro desafio, portanto, seria encontrar uma bateria tão minúscula quanto o próprio MMM, algo que ainda não existe.

Seja como for, um computador de dimensões inferiores às de um grão de arroz não é apenas uma curiosidade geek. Antes, trata-se de uma inovação em linha com várias outras propostas relacionadas a, por exemplo, a IoT (Internet das Coisas, na sigla em inglês); propostas menos movidas pelo desafio e mais voltadas a levar a computação a áreas antes impensáveis. E o Michigan Micro Mote pode sem dúvida ser mais um passo nessa direção.

Fonte: Michigan Live

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