Comorbidade: o que é e entenda as diferenças entre diagnóstica e prognóstica

Por Nathan Vieira | 19 de Março de 2020 às 17h10

Você já ouviu falar do termo "comorbidade"? Em ciências médicas, basicamente, quando se fala em comorbidade, refere-se a um contexto em que duas ou mais doenças estão etiologicamente relacionadas. Falamos grego? Calma, que a gente explica direitinho. 

Para esclarecer do que se trata esse termo, o Canaltech conversou com a enfermeira Sylvia Oliveira, especialista em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e Pediátrica e membro do grupo de pesquisa Saúde e Sociedade da Escola de Saúde da UFRN. Atualmente, Sylvia trabalha numa homecare voltada principalmente a pacientes idosos. 

O que é Comorbidade?

"Comorbidade é o termo técnico que nós, da área da saúde, utilizamos para nos referirmos a situações em que um indivíduo possui alguma doença em conjunto com outra, ou seja: a coexistência de doenças. Por exemplo: na população de idosos, nas pessoas maiores de 65 anos, é muito comum que eles sejam diagnosticados com hipertensão arterial sistêmica (a popular pressão alta) e tenham uma outra condição patológica, ou seja, não sejam portadores apenas de hipertensão", explica a profissional.

Sylvia exemplifica: "Além da hipertensão, eles geralmente são portadores de uma patologia que compromete o sistema endócrino, que é o diabetes. O mais comum e mais verificável é o mellitus. Então muito raramente nós iremos encontrar um idoso que seja hipertenso e não seja diabético, ou que seja diabético e não seja hipertenso".

Inclusive, uma nomenclatura que pode ser usada como sinônimo de comorbidade, de acordo com Sylvia, é a doença de base. Por exemplo: uma pessoa é diagnosticada com doença de Alzheimer. O diagnóstico que o paciente recebeu no momento foi de Alzheimer, mas antes de ser determinada a ele essa doença, vem o questionamento: ele era diabético? Ele era hipertenso? Então, no caso de um idoso que tenha Alzheimer, doença de Parkinson ou outras que comprometam os pacientes mais idosos, não é nem um pouco raro que ele também já seja diabético. "O diabetes, nesse caso, é uma doença pré-existente", ressalta a enfermeira.

Diabetes e hipertensão são casos comuns de comorbidade

Sylvia também usa como exemplo o contexto da comorbidade relacionada ao coronavírus, que consiste em alguns grupos que são considerados como de maior risco, ou seja, mais vulneráveis. A comunidade idosa, por exemplo, está nesse grupo.

"Quando se fala da comorbidade associada ao coronavírus, por exemplo, principalmente dizendo respeito à comunidade idosa, quer dizer que esse grupo por si só já tem um sistema imunológico comprometido. Então essas pessoas com mais de 65 anos possuem o sistema mais frágil e estão mais propensas a adquirir essa infecção.

Imagina o que é para um idoso ser infectado por COVID-19, sendo que a maior parte já tem doença base, como a hipertensão ou a diabetes? Trata-se de um corpo mais vulnerável, mais suscetível a um colapso e ao óbito", explica. A enfermeira traz como exemplo o primeiro caso de óbito no Brasil causado pelo novo coronavírus: trata-se de um homem de 62 anos que tinha como comorbidade a diabetes, a hipertensão e a hiperplasia prostática.

Comorbidade diagnóstica e prognóstica

Existem duas definições que acompanham o termo. Sendo assim, a comorbidade pode ser diagnóstica ou prognóstica. Questionada a respeito desses conceitos, Sylvia primeiro traz o significado literal: "Na área biomédica, definimos prognóstico como sendo as perspectivas do que podemos esperar em relação ao quadro de determinada doença.

Por exemplo: se uma pessoa é acometida por um resfriado, o prognóstico (ou seja, o que se espera) é que ela fique boa em duas semanas, no máximo". Já em relação ao conceito de diagnóstico, que é um pouco mais conhecido pelas pessoas, a enfermeira explica que consiste em uma avaliação feita pelos médicos a partir de sinais e sintomas.

Considerando isso, Sylvia diz que podemos definir como comorbidade diagnóstica quando o paciente é diagnosticado com uma doença que traz outra consequência que já é esperada (como no caso de uma pessoa com Alzheimer, a perda de memória recente, o esquecimento, etc). O grande diferencial da comorbidade prognóstica é que trabalha-se com possibilidades, não com uma certeza. "Por exemplo: para uma pessoa que recebe um diagnóstico de diabetes, é completamente comum que desenvolva também úlceras venosas, mas isso não ocorre em 100% dos casos. Quando me refiro à comorbidade prognóstica, são possibilidades futuras, projetadas dentro das circunstâncias daquela doença. Já comorbidade diagnóstica se refere a algo inevitável, ou que acontece no presente". 

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