Como funciona o rastreamento de pacientes com coronavírus nos EUA?

Por Nathan Vieira | 19 de Maio de 2020 às 18h25
Pixabay

Uma das estratégias dos Estados Unidos para reduzir a transmissão de coronavírus foi a implementação de programas de rastreamento de contato entre as pessoas, que basicamente consiste em agentes contratados que fazem chamadas telefônicas com os infectados, e eles descrevem quais foram as pessoas com quem tiveram contato recentemente. Assim, o agente liga para toda a lista que foi fornecida e avisa a essas pessoas que elas também precisam se manter em quarentena.

Nova York, Massachusetts e Alasca foram alguns dos estados dos EUA que implementaram esse programa. Na semana passada, o MIT Technology Review conversou com esses agentes para entender melhor como funciona a rotina deles e quais desafios são enfrentados.

Segundo Robert Bramson (79), de Massachusetts, o rastreamento acontece da seguinte forma: o agente liga para pacientes que foram diagnosticados com COVID-19 e faz muitas perguntas sobre como eles se sentem, se eles têm comida, se podem se isolar em casa, com quem eles tiveram contato 48 horas antes do teste positivo, e coloca essas informações no sistema. A partir daí, os rastreadores acompanham todos os contatos nomeados.

"Nosso objetivo é retardar a propagação do vírus para ganhar tempo para os pesquisadores desenvolverem uma vacina ou um tratamento medicamentoso eficaz. O processo de rastreamento em Massachusetts é novo. Nós cometemos erros, mas aprendemos. As pessoas trabalham dia e noite para tornar o processo mais rápido e suave. Em mais de uma ocasião, ouvi um suspiro de alívio e um 'obrigado' quando disse a um paciente que ligaria todos os dias para verificar seu status.

Agentes dos EUA contam como é a vida de rastreador de contato para conter a transmissão do coronavírus

Jana De Brauwere (44), de São Francisco, conta que foi submetida a uma semana de treinamento extensivo, durante a qual aprendeu sobre os procedimentos, software e regras de privacidade, e que seu trabalho principal é entrar em contato com pessoas que foram expostas ao coronavírus por uma pessoa que testou positivo. "Eu provavelmente ligo para 15 a 25 pessoas por turno e conduzo entrevistas completas com quatro ou cinco. A maioria das pessoas com quem interajo é muito grata por estarmos entrando em contato. Eles têm muitas perguntas que podemos responder", conta.

Segundo Jana, algumas pessoas são um pouco desconfiadas e chegam a desligar depois que ela pergunta a data de nascimento e o endereço. "É muito ruim. Sinto que eles podem se beneficiar dessa informação: como se colocar em quarentena, como podem proteger suas famílias e que tipo de apoio está disponível. Às vezes, você precisa garantir que está ligando para ajudá-los, trabalhando em nome deles; não é o governo tentando ir atrás deles".

Para Jana, foi uma experiência positiva, uma vez que ela conta que aprendeu muitas coisas novas e viu como as pessoas podem se unir em momentos de necessidade. Pessoas de todos os departamentos, estudantes de medicina, bibliotecários, funcionários do escritório da promotoria da cidade — todos trazendo diferentes habilidades para o desafio.

Agentes de rastreamento apontam gratidão e desconfiança por parte do público

Enquanto isso, Jade Murray (22), de Utah, tem cerca de 20 casos, e normalmente leva cerca de duas ou três horas por dia para entrar em contato com todos, conversar com eles e responder a quaisquer perguntas que possam ter. Os números são gerenciáveis, mas um dos fatores limitantes é que as pessoas já não estão se movimentando tanto quanto deveriam.

Sobre os desafios dessa função, Jade aponta: "O mais difícil é conseguir fazer com que as pessoas continuem respondendo durante o período de 14 dias. E, até que elas acatem às suas recomendações, obviamente elas têm autonomia — não podemos controlar o que estão fazendo. Mas realmente não sabemos se ficam em casa ou se ainda estão saindo, porque ainda se sentem bem. Você tem que acreditar que eles estão cumprindo. Tive algumas pessoas que se afastaram, as quais você pode dizer que não estão realmente interessadas em dar feedback. Mas ninguém nos rejeitou completamente".

Fonte: MIT Technology Review

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